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oraviva

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04
Jul20

Pouco para muitos

publicado por júlio farinha

   O governo acaba de anunciar mais uma despesa megalómena. Desta vez, prenuncia-se mais um Novo Banco. A injecção de 1,2 mil milhões de euros vão parar a uma empresa em préfalência: TAP.

   O ministro das infraestruturas Pedro Santos foi o enviado do PM para fingir que o governo pretendia a nacionalização. Tratava-se de um jogo que Costa jogou. Na realidade, o governo, ao contrário do que diziam certos comentadores, fugia da nacionalização como o diabo fugia da cruz. 

   A TAP vai ser o sugadouro de muito dinheiro, embora os governantes garantam que o dinheiro a injectar já está inscrito no orçamento suplementar contando também, com dinheiros da UE   ( sob condições à holandesa) e dificilmente virá a ser lucrativa.

   A reestruturação  da TAP, sob condições que se prevêem gravosas, diz o governo ( agora já a uma só voz) lançará muitos trabalhadores para o desemprego. A TAP ficará mais pequenina e as receitas esperadas com o comércio, negócios, exportações e turismo serão uns trocos perante a dimensão que já deteve.

   É caso para dizer :  quanto vale uma pipa de massa forrada de dívidas?  Dinheiro, por dinheiro, ficaríamos melhor confinados e entregues à Nação. Não vá a coisa recuperar-se e, nesse caso, lá teremos outra vez os privados. Como é costume nos do Bloco Central.

    Não sou daqueles que frequentam aviões. Até hoje só fiz duas viagens de longo curso e duas num avião doméstico no longíncuo e belo Timor. Certamente não irei  até ao fim dos meus dias alterar esta estrada de chão feita. Eu e milhares de portugueses estarão para sempre na rota terrestre. Por isso, façam o favor de não irem aos meus impostos. Para esse peditório já dei. Muito.

   Para já, siga-se a palavra de ordem: acabar com o "pouco para tantos".

   

      

15
Jun20

Ausente, presente!

publicado por júlio farinha

   Sim, tenho sobrevivido ao mau vírus que para mim tem sido benevolente e por ele não fui visitado. Não tem sido, por isso, e devido a ele, que me tenho desviado de uma coisa que tanto gosto de fazer : escrever.

   Há mais de oito semanas que aqui não tenho deixado uma prosa nem um esboço de poesia. No entanto, tenho sido visitado por novos e antigos leitores que diariamente lêem alguns dos pequenos textos que , ao longo de mais de um ano, aqui deixei como herança modesta. 

   Acontece que afazeres da vida me têm impedido de verter para memória futura alguns rasgos do pensar que entretanto fui tendo ao longo dos últimos tempos. 

  A minha disponibilidade discursiva tem sido menor do que esperava e desde já agradeço aos meus leitores e subscritores a amabilidade que têm tido para acompanharem a minha velhinha e descontextual escrita. Conto, em breve, renovar a minha produção,  aceitando a amabilíssima proposta, que vai para algum tempo, me endereçou a Sara. Olá Sarin!

   

 

   Beijinhos e abraços a todos. Espero que estejam todos bem.

24
Abr20

25 de Abril, sempre!

publicado por júlio farinha

 

 

 

Ó Liberdade, que é feito dos teus heróis? Quantos enganos à tua sombra se assomaram. A tua memória não vai morrer. A utopia vai, um dia, ser realizada pelos nossos vindouros.

 

 

 

                                       

 

01
Abr20

Séneca revisitado

publicado por júlio farinha

   Há uns tempos prometi a uma vistante deste burgo escrever algo sobre Séneca. A grandiosidade deste autor clássico bem como a de outros estóicos romanos e gregos não convoca a minha pobre sabedoria para outra coisa que não seja escrever alguns comentários que considero oportunos,  tendo por base uma selecção de algumas das numerosas citações, frases e aforismos de Séneca. Sobre cada citação lavrarei, por baixo - passe a metáfora - a minha modesta interpretação.

   " Os progressos obtidos por meio do ensino são lentos; já os obtidos por meio de exemplos são mais imediatos e eficazes".

   O ensino livresco não baseado na experimentação e na prática "entra por um ouvido e sai pelo outro". Ao contrário, a percepção que um "aprendiz" capta daquilo que ouve  ou vê a partir de um respeitável mestre é aquilo que nos fica gravado na mente e na alma.

   " Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".

   Pensa que um dia de vida é uma vida inteira. Vive, então, o melhor que puderes em cada dia que passa.

   "Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas".

 Uma mulher verdadiramente bela não tem uma coisa ou outra bonita, é bela em toda a sua dimensão: exterior e interior.

  "O amor não se define; sente-se".

   É indizível.

   "As dores ligeiras exprimem-se; as grandes dores são mudas".

   Depois da dor menor vem a bonança, após a grande perda vem a morte.

   "É errado quando acreditas em cada um, mas também é errado quando não acreditas em ninguém".

  Segue a tua razão e escolhe em quem acreditar.

   Em viagem, "Foges em companhia de ti próprio: é de alma que precisas de mudar, não de clima."

Conhece-te a ti próprio e engrandece-te; não esperes encontrar aquilo que está fora de ti.

   "Devem ser evitados os tristes de que tudo se queixam".

   Reforça a tua vida interior e luta!

   "É preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la"

   A verdade pode chocar, tenhamos cautela em não magoar o possivel receptor.

   "Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável".

   E qualquer vento é favorável aos que navegam sem destino!

   "O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais do que o necessário".

Aquele que sofre antes de ser necessário, caro Séneca, é tolo. O que sofre mais do que o necessário é masoquista!

 

 

   

   

25
Mar20

Primeiro, vieram ...

publicado por júlio farinha

 

   Hoje, apresento-lhes um poema do pastor e poeta alemão, Martin Niemöller  (1892-1984), inimigo público de Hitler, que passou sete anos da sua vida em campos de concentração.

 

   "Quando os nazis vieram buscar os comunistas, eu fiquei em silêncio; eu não era comunista.

   Quando ele prenderam os sociais democratas, eu fiquei em silêncio; eu não era social democrata.

   Quando eles vieram buscar os sindicalistas, eu não disse nada; eu não era sindicalista.

   Quando vieram buscar os judeus, eu fiquei em silêncio; eu não era judeu.

   Quando eles vieram por mim, já não havia ninguém que pudesse protestar".

 

 

14
Mar20

Professores deitados aos bichos.

publicado por júlio farinha

   O governo decidiu fechar as escolas e restringir o acesso a outros locais públicos. Até aqui tudo certo. Os alunos devem ser protegidos do coronavírus evitando que o contraiam e o propaguem. Mas também se sabe que, nas escolas, as pessoas infectadas são sobretudo professores pois são os que mais interagem e são os mais vulneráveis devido à idade. Privilegiar as crianças e os jovens face aos adultos é uma medida vergonhosamente populista. Trata-se de uma questão de votos, mais nada.

   Acontece que uma medida importante para evitar a infecção, segundo os competentes a  profissionais de saúde, é o isolamento.

   Também acontece que ao mesmo tempo que os alunos são enviados para casa de onde só podem saír em último caso, os professores, a mando do respectivo ministério obrigou, contrasenso, a cumprir horário nas escola onde devem fazer trabalho presencial não lectivo. Então os professores são imunes e não de podeem contagiar uns aos outros?  É para rir!

   A medida infeliz e absurda é um atestado de incompetência. É como se o ME atirasse os professores aos bichos, literalmente.

   Os responsáveis (apolíticos) pela educação têm um certo rancor pelos docentes, não lhes perdoam a contestação nem as greves às avaliações. Estes são vítimas do seu próprio orgulho, da sua superior dedicação ao ensino e da sua competência didáctica e pedagógica. É porisso que são tratados abaixo de cães. Tal como dizia um revolucionário francês:Pauvres chiens, on vos traite como des hommes!  (Pobres cães, tratam-vos como se fossem homens).

   

   

12
Mar20

Do avesso

publicado por júlio farinha

   O vírus que por aí anda virou isto tudo do avesso. O medo e a ansiedade instalaram-se e todos os sectores da economia e da sociedade sofrem o maior trambolhão das últimas décadas. 

   Numa ida a uma grande superfície para comprar uma conservazita, só uma, para o jantar, deparei-me com uma situação caótica. Não havia lugares livres de estacionamento.

   Lá dentro, perguntei a um funcionário onde era o sítio das tais conservas. Ele apontou-me para um corredor e disse, com um sorriso amarelo: "Costuma ser ali". E deparei-me com metros e metros de espaços simplesmente vazios. Outros corredores estavam igualmente depenados de produtos. A Azáfama era grande, uma chusma de clientes assoberbados deitavam mão de tudo e mais alguma coisa.

   Acabei por almejar uma lata de feijoada à transmontana e preparei-me para ir à caixa. À frente de cada uma delas formavam-se filas intermináveis com pessoas de olhar preocupado, com carros literalmente a abarrotar de produtos. Tive sorte de encontrar uma caixa automática com meia dúzia de clientes. Saí, e fui jantar o tal enlatado que me bastou para compôr o estômago. Acompanhei a iguaria com pensamentos e concluí que nunca tinha visto uma coisa assim. Talvez o cenário seja parecido com um estado de sítio, uma guerra, um terramoto ou outra catástrofe do género.

   Também pensei, paradoxalmente, que a coisa está a ter efeitos benéficos economicamente. O preço do petróleo baixou drasticamente, as bolsas, para meu gáudio, colapsam, os jogos de futebol não rendem milhões e os preços da restauração vão baixar. Ou, seja, acabamos por gastar menos e poupar mais.

   Do que foi dito, não se insere que não esteja apreensivo com a situação e longe de mim a  intenção de brincar com coisas sérias. Confio nas autoridades de saúde - menos que nos políticos - e louvo as suas prescrições pedagógias. Devíamos olhar com atenção para países e territórios como Macau onde foram tomadas medidas colectivas de grande alcance. Ali, barrou-se o caminho à proliferação ou mesmo entrada do novo vírus. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo da China Continental, apesar de estar a diminuír o número de infectados, e de Itália. Para aqueles povos onde se têm registado óbitos devido à doença vai o meu respeito. Em honra desses países, decido não incluír neste post a habitual música. Que Portugal, onde a infecção é territorialmente assimétrica, reduza, a prazo, a zero o número de contagiados.

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