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oraviva

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19
Set20

O Sapo Encantado

publicado por júlio farinha

   A vida e a natureza são de uma beleza ímpar. Quando falamos de pessoas somos levados a eleger aqueles seres que nos encantam. Seduzem-nos pelo seu olhar, pela sua figura, pela sua beleza interior e, muito importante, pelos seus valores.

   Uma das formas que as pessoas têm de nos encantar está na sua riqueza artística ou na sua facilidade de comunicação como a escrita, por exemplo. As pessoas que têm o dom de escrever, de versejar ou que são dadas à musica, às artes, em suma, são seres superiores. Culturalmente avançadas, essas pessoas cativam-nos e merecem a nossa admiração. 

   Os blogs aqui do Sapo estão cheios dessas manifestações, com destaque para a forma literária e para a fotografia. Para além da escrita, sobejamente cheia de textos intimistas de grande qualidade, coexistem as peças críticas de análise social e política e os roteiros de viagens, para além de múltiplos e variados assuntos . Os comentários abundantes feitos sob os textos publicados são de carácter selectivo e enriquecem as publicações que merecem distinções conforme a sua qualidade.

   Parabéns ao Sapo por abrir as portas à intervenção e permitir a intercomunicação entre tantas pessoas que, de outra forma, ficariam privadas de uma plataforma pública, livre e democática que enriquece quem  a usa. 

12
Set20

Parménides "versus" Heráclito

publicado por júlio farinha

   Parménides e Heráclito foram dois filósofos antigos que marcaram todo o pensamento ocidental posterior.

   Heráclito defendia a ideia de um mundo contínuo em constante mutação e contradição enquanto, por seu lado, Parménides era apologista de um ser único e imóvel.

   Parménides nasceu em Aleia (530 a.c.) e defendia que o seu ser único, invariave e imóvel era sempre o mesmo na sua identidade. "O que é, permanece" - disse. Por outro lado, defendeu este filósofo que  a aparência sensível do mundo não existe; ou seja, o nosso conhecimento assente nas sensações das coisas "só nos dá uma ilusão do movimento" , uma aparência "fraudulenta". Aquilo que nos dá acesso a uma "realidade idêntica a si mesma" só pode ser o intelecto. Parménides partiu do seu ser para postular que " O ser é e o Não-Ser Não é ".

   Heráclito de Éfeso (540 a.C) ao contrário, defendia que o mundo era um contínuo em constante mutação e transformação: " nada permanece idêntico a si mesmo" e existe para cada coisa um seu oposto.

   Para Heráclito o mundo era feito de contrários e cada coisa tem o seu positivo e o seu negativo. De discurso contraditório, este filósofo foi muitas vezes de difícel interpretação. Por isso foi chamado por outros do seu tempo "O Obscuro". Nele, os pensamentos apacecem-nos frequentemente contraditórios e com aparente sem sentido. No seu discurso, abundam os aforismos e as metáforas. Uma das mais famosas é a seguinte: "Os burros preferem a palha ao ouro" - numa estigmatização aparente da ignorância humana.

04
Set20

Tristeza

publicado por júlio farinha

   Tristeza, grito de alma ferida, sonho desfeito em noites de insónia, sem sonho.

   Tristeza, melancolia em nosso ser sem futuro, sem amanhã, sem utopia nem riscos de arco-íris.

   Quando sem pedir licença a tristeza chega, bate nosso coração lento e escasso sangue corre em nossas veias.

  Oh alegria,  não te deixes abater pela tristeza que sobre nós vem sugando a nossa energia, sorrateiramente.

   Se, porventura a tristeza nos vencer por cansaço ou por ignomínia nossa.Se assim acontecer, não há sol  que nos acuda nem amanhã que nos valha.

   Tristeza, vai-te e não voltes. Desaparece, grita o espírito. Foge de nós, não atrapalhes a nossa vida sadia.

   Tristeza, tu és quase nada, quase ninguém, és o aremesso da noite escura.

   Tristeza, deixa-nos ser alguém. Vai-te e não voltes. Deixa-nos viver para além do sonho. Este tem direito à vida e, assim vivo, tomará conta de nós secando o choro morno e triste que corre na nossa face.        Abundantemente. 

28
Ago20

O meu eu

publicado por júlio farinha

   Eu sou eu e o meu eu sou eu. Partilho o que sou com aquilo que tenho e tenho aquilo que dou aos outros. O meu eu pertence-me e é dado a quem me tem por bem. O meu eu é comunicável, e quem sou eu  senão aquilo que é meu.

   Não desisto de me dar, de me considerar inteiro, de ser em mim um eu confortável. Não desisto de ser, de me considerar o meu eu próprio.

   Aquilo que é meu sou eu. Perene, satisfeito. Aquele que se dá na sua completude, na sua identidade. Sou eu.

21
Ago20

Debate entre dois próximos

publicado por júlio farinha

   Os jovens, alguns jovens, surpreendem-me cada vez mais. Um destes dias fui "interpelado" por uma jovem próxima, familiarmente falando, que me queria fazer umas perguntas sobre política, sobre sociedade, sobre muitas coisas importantes para ela  e para mim..Confessou-me, o que já sabia, que nunca votou e que a sua participação em manifestações anti racistas e cívicas que já tinha frequentado não a satisfaziam pois, segundo ela, estava incomodada com a ascenção das correntes nazis, fascistas e populistas em Portugal, bem como com um certo demissionismo de grande parte da população jovem em relação à coisa pública. Queria saber mais para agir melhor e levar outros jovens a uma consciencialização política que não permitisse o regresso a ditaduras. A minha tarefa era exigente como exigentes eram as questões que me poria.

   Não recusei o debate, mas confesso que no decorrer do mesmo me senti por vezes embaraçado perante as dúvidas que me eram dirigidas. Queria a jovem que fosse sincero, transparente, e que não escondesse cada lado das questões não fugindo às dificuldades. Pediu-me ainda para não fazer do meu discurso um  repositório planfetário, conhecedora das minhas convicções. Fazia, assim, ela apelo à minha honestidade, à clareza, à imparcialidade e ao bom senso. Por isso, não fugi às questões mais difíceis e rendi-me antecipadamente às ideias objectivas, claras e distintas - como dizia Descartes. 

   A minha jovem amiga era a primeira a dar o exemplo e pensava as questões antes de as formular, pesando cada palavra, medindo o alcance da ideia para a qual precisava de resposta.

   Enumeram-se, assim, alguns tópicos do debate. Ela precisava de saber, sem rodeios, o que era o totalitarismo, qual a sua relação com fascismo e se se pode dizer que todo o regime comunista é totalitário. Neste caso, o que é que distingue o fascismo do comunismo. "Expliquei" o melhor que pude, mas não deixei de lhe dizer que há regimes totalitários que são comunistas (Coreia do Norte) e que outros não o são obrigatoriamente. Por outro lado, todo o regime fascista tende a ser totalitário (Mussolini) e lá fui discorrendo sobre aquilo que caracteriza tais entidades: o culto do chefe, as milícias, a falta de liberdade de imprensa, a polícia política, etc.

   A jovem quis saber também se Marx tinha algo a ver com a derrocada da URSS. Disse-lhe que de Marx até Stalin e a Gorbachov ia uma grande distância. Aqui, falámos da corrupção e divergimos ao considerar a mesma uma coisa inata ao ser humano.Disse-lhe que são as organizações, o poder e o dinheiro que corrempem e que nas sociedades primitivas não havia propriamente corrupção. E que esta, embora já existisse, era diminuta na Grécia Antiga.

   Calava-me, a tempos, para lhe dar a palavra.Levou-me até à China e à curiosa existência de dois regimes, passando pela revolucionária longa marcha de Mao Tsé Tung que no século passado instaurou a maior República Popular do mundo num país de camponeses - tal com havia feito em 1917 na Rússia Lénine.

   Tivemos assim que regressar a Marx e "concordar" que Marx se "enganou" ao prever que as revoluções socialistas e o próprio comunismo teriam lugar em países industrializados com um proletariado forte. A palavra de ordem: "Proletários de todos os países, uni-vos" devia de acentar em partidos comunistas que levariam o resto do povo à abolição de todas as classes sociais.

   O pai da Revolução Russa, Lenine, haveria de prever um período de transição entre socialismo e comunismo a cargo de uma figura "temível" para a burguesia a que apelidou de "ditadura do proletariado" .Esta forma de transição era necessária enquanto existissem classes. Ora, é sabido que, por exemplo, na maior parte dos países socialistas nunca chegou a haver tal transição pelo que o comunismo nunca chegou aí a nascer verdadeiramente. "Então, eu quero ser de esquerda e partilhar o comunismo,  tal como Marx o concebeu", afirmou a jovem que mostrou grande simpatia pelo ditado de Marx enquanto jovem e que reza assim. "Ser radical é arrancar as coisas pela raíz."

   Passámos por Cuba, por Che e por Fidel e não escondi à minha interlocutora a minha simpatia por essa trindade, onde e por quem Marx foi, a meu ver, mais fielmente interpretado.

   No fim, ao sabor de uma taça de vinho branco alentejano, tivemos tempo de voltar a Marx, o filósofo, e tocar nalguns escritos icónicos que falam do dinheiro- do qual somos escravos. Referindo-se ao "Capital" - essa obra eterna e inacabada, dizia Marx: " Nunca ninguém falou tanto de dinheiro e com tanta falta dele" .

   Mais tarde, revimo-nos, como acontecia amiúde, na praia onde é Nadadora Salvadora. Dirigi-me a ela chamando-a revolucionária. " Não" - e como se esperasse mais de si ,retorquiu - "só sou anti fascista e simpatizo com Marx".

 

  

 

 

    

04
Jul20

Pouco para muitos

publicado por júlio farinha

   O governo acaba de anunciar mais uma despesa megalómena. Desta vez, prenuncia-se mais um Novo Banco. A injecção de 1,2 mil milhões de euros vão parar a uma empresa em préfalência: TAP.

   O ministro das infraestruturas Pedro Santos foi o enviado do PM para fingir que o governo pretendia a nacionalização. Tratava-se de um jogo que Costa jogou. Na realidade, o governo, ao contrário do que diziam certos comentadores, fugia da nacionalização como o diabo fugia da cruz. 

   A TAP vai ser o sugadouro de muito dinheiro, embora os governantes garantam que o dinheiro a injectar já está inscrito no orçamento suplementar contando também, com dinheiros da UE   ( sob condições à holandesa) e dificilmente virá a ser lucrativa.

   A reestruturação  da TAP, sob condições que se prevêem gravosas, diz o governo ( agora já a uma só voz) lançará muitos trabalhadores para o desemprego. A TAP ficará mais pequenina e as receitas esperadas com o comércio, negócios, exportações e turismo serão uns trocos perante a dimensão que já deteve.

   É caso para dizer :  quanto vale uma pipa de massa forrada de dívidas?  Dinheiro, por dinheiro, ficaríamos melhor confinados e entregues à Nação. Não vá a coisa recuperar-se e, nesse caso, lá teremos outra vez os privados. Como é costume nos do Bloco Central.

    Não sou daqueles que frequentam aviões. Até hoje só fiz duas viagens de longo curso e duas num avião doméstico no longíncuo e belo Timor. Certamente não irei  até ao fim dos meus dias alterar esta estrada de chão feita. Eu e milhares de portugueses estarão para sempre na rota terrestre. Por isso, façam o favor de não irem aos meus impostos. Para esse peditório já dei. Muito.

   Para já, siga-se a palavra de ordem: acabar com o "pouco para tantos".

   

      

15
Jun20

Ausente, presente!

publicado por júlio farinha

   Sim, tenho sobrevivido ao mau vírus que para mim tem sido benevolente e por ele não fui visitado. Não tem sido, por isso, e devido a ele, que me tenho desviado de uma coisa que tanto gosto de fazer : escrever.

   Há mais de oito semanas que aqui não tenho deixado uma prosa nem um esboço de poesia. No entanto, tenho sido visitado por novos e antigos leitores que diariamente lêem alguns dos pequenos textos que , ao longo de mais de um ano, aqui deixei como herança modesta. 

   Acontece que afazeres da vida me têm impedido de verter para memória futura alguns rasgos do pensar que entretanto fui tendo ao longo dos últimos tempos. 

  A minha disponibilidade discursiva tem sido menor do que esperava e desde já agradeço aos meus leitores e subscritores a amabilidade que têm tido para acompanharem a minha velhinha e descontextual escrita. Conto, em breve, renovar a minha produção,  aceitando a amabilíssima proposta, que vai para algum tempo, me endereçou a Sara. Olá Sarin!

   

 

   Beijinhos e abraços a todos. Espero que estejam todos bem.

24
Abr20

25 de Abril, sempre!

publicado por júlio farinha

 

 

 

Ó Liberdade, que é feito dos teus heróis? Quantos enganos à tua sombra se assomaram. A tua memória não vai morrer. A utopia vai, um dia, ser realizada pelos nossos vindouros.

 

 

 

                                       

 

01
Abr20

Séneca revisitado

publicado por júlio farinha

   Há uns tempos prometi a uma vistante deste burgo escrever algo sobre Séneca. A grandiosidade deste autor clássico bem como a de outros estóicos romanos e gregos não convoca a minha pobre sabedoria para outra coisa que não seja escrever alguns comentários que considero oportunos,  tendo por base uma selecção de algumas das numerosas citações, frases e aforismos de Séneca. Sobre cada citação lavrarei, por baixo - passe a metáfora - a minha modesta interpretação.

   " Os progressos obtidos por meio do ensino são lentos; já os obtidos por meio de exemplos são mais imediatos e eficazes".

   O ensino livresco não baseado na experimentação e na prática "entra por um ouvido e sai pelo outro". Ao contrário, a percepção que um "aprendiz" capta daquilo que ouve  ou vê a partir de um respeitável mestre é aquilo que nos fica gravado na mente e na alma.

   " Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida".

   Pensa que um dia de vida é uma vida inteira. Vive, então, o melhor que puderes em cada dia que passa.

   "Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas".

 Uma mulher verdadiramente bela não tem uma coisa ou outra bonita, é bela em toda a sua dimensão: exterior e interior.

  "O amor não se define; sente-se".

   É indizível.

   "As dores ligeiras exprimem-se; as grandes dores são mudas".

   Depois da dor menor vem a bonança, após a grande perda vem a morte.

   "É errado quando acreditas em cada um, mas também é errado quando não acreditas em ninguém".

  Segue a tua razão e escolhe em quem acreditar.

   Em viagem, "Foges em companhia de ti próprio: é de alma que precisas de mudar, não de clima."

Conhece-te a ti próprio e engrandece-te; não esperes encontrar aquilo que está fora de ti.

   "Devem ser evitados os tristes de que tudo se queixam".

   Reforça a tua vida interior e luta!

   "É preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la"

   A verdade pode chocar, tenhamos cautela em não magoar o possivel receptor.

   "Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável".

   E qualquer vento é favorável aos que navegam sem destino!

   "O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais do que o necessário".

Aquele que sofre antes de ser necessário, caro Séneca, é tolo. O que sofre mais do que o necessário é masoquista!

 

 

   

   

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