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oraviva

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16
Jul19

No passarán

publicado por júlio farinha

 

 

   No passado sábado o jornal Expresso, num assomo de pouca lucidez e muito despropósito, brindou os seus leitores com uma verdadeira pérola. Numa rubrica de palavras cruzadas os professores descem abaixo da afronta. Estes, segundo o semanário tornado pasquim são, implicitamente responsáveis – devido ao excesso de greves – pelas fracas aprendizagens dos alunos. Ora, é sabido que nem as greves às aulas foram excessivas – o brincalhão devia saber que a maior parte das greves foram às avaliações – nem os resultados, segundo a OCDE, são fracos.

 

   A 1ª Horizontal pede que se responda a: aqueles que ensinam quando não estão em greve. Começa por surgir aqui um equívoco, uma redundância.Faz parte do conceito greve não desempenhar a função. A cruciverbalista, Mercedes Pinto Balsemão é esposa do patrão do jornal. Supõe-se que escreve o que quiser. É a mulher daquilo tudo. O Jornal não é revisto? Basta ter poder dentro do Expresso para se publicar o que se quer? Isso levanta uma série de problemas. A família do Expresso estará por detrás da falta de independência política, rigor e boa-fé do jornal? Quais as garantias de independência que tem um jornal cujo 1º ministro é irmão de um dos directores mais influentes dentro do jornal?

   Ou não se trata de uma coincidência que faz com que o jornal de referência se incline tendencialmente para a direita? Sabem os órgãos directivos o que se publica no Expresso? Tem a opinião pública noção da fragilidade democrática de um órgão de comunicação tão ligado à economia, à política e aos lobbies?

 

   Os professores que enfrentaram - com razão - as tutelas, sabem agora que o que conta  para os seus detractores é a injúria. A isto responderão, de acordo com a histórica palavra de ordem: no passarán!, ou, na actual circunstância – não, passaroco!

29
Jun19

A circulação da liberdade

publicado por júlio farinha

   O acordo de Schengen estipula o intercâmbio voluntário entre os cidadãos dos países da União Europeia  (excepto a Irlanda e o Reino Unido) e integra outros que não pertencem à UE:  Islândia, Noruega e Suíça. Os cidadãos dos países signatários do acordo circulam nos referidos espaços  sem necessidade de passaporte. Resumindo: a livre circulação de pessoas nos países abrangidos pela convenção abrange 400 milhões de pessoas.

   A este espaço de liberdade opõem-se os Estados Unidos que veda sistematicamente a entrada, com recurso a métodos violentos, aos refugiados que devido a motivos politicos , humanitários ou económicos procuram ultrapassar o arame farpado e os muros que a administração americana actual lhes levanta.

   É verdade que nos países donde saem os refugiados existe criminalidade e más condições de vida, factores indutores da fuga em direcção aos EUA. Mas quem vende armamento aos cartéis da droga na Colômbia? Quem está por detrás do negócio da droga em El Salvador, Guatemala e Honduras? Ou seja, os americanos não contribuem assim para o êxodo das populações?

   A administração americana diz recear a violência que lhes causariam os emigrantes, mas quem arma na prática todos os americanos mercê de uma política de armamento livre e indiscriminada causadora de massacres de inocentes nas escolas e espaços públicos? 

   Em suma, os americanos não só contribuem para o êxodo das populações como são um perigo para eles próprios e seus concidadãos.

   O muro da administração americana, para júbilo de muitos que a puseram no poder, faz-nos lembrar o muro de Berlim também chamado muro da vergonha. Os americanos já fizeram saber que vão levantar o muro de muitos quilómetros e que vai custar caro. Não faz mal, o presidente disse que vai mandar a conta ao governo do México. É para rir!

 A América que tanto precisou dos emigrantes quando estes lhe faziam falta , de tal modo que é usual dizer-se que ela é um país de emigrantes, descarta agora essa condição e recusa incluí-los . A isto chama-se oportunismo político  

   Hoje, se cá regressassem os defuntos presidentes como Washington, Roosevelt, Jefferson, Lincoln, Truman e Kennedy deviam sentir um mal-estar - veriam xenofobia, racismo, exclusão e mediocridade intelectual e moral. É que no seu tempo, a América foi, de facto, grande.

  A Europa de Schengen, ao contrário da américa actual, pese embora exibindo desmandos do capitalismo – mais acentuados nalguns países de Leste e do centro -  é a herdeira dos clássicos valores humanistas e político-filosóficos que fazem dela uma referência daquilo que há de melhor no mundo.

22
Jun19

Moderar o PS é preciso

publicado por júlio farinha

   A Assembleia da República decidiu recentemente acabar com as taxas moderadoras no SNS com os votos de quase todos os partidos incluindo o PS. Agora o PS, por indicação de Costacenteno, "aconselha" o grupo parlamentar do PS a boicotar tal medida.

   O SNS é, de acordo com a letra de lei e segundo o desejo dos seus fundadores e do povo, tendencialmente gratuito. No entanto, as taxas que se justificavam para moderar o acesso indiscriminado ao serviço público de saúde passaram, há muito, a ser uma fonte de rendimento: 180 milhões dão muito jeito ao sistema ou ao Estado se quisermos – diz a ministra da educação por indicação de Centeno.

   O PS da AR, que não é exactamente o conjunto dos deputados eleitos pelo  povo para o defender, submete-se, qual pau-mandado, ao governo que é quem manda no hemiciclo. Ficam, desde já, avisados, diz Costa: chumbem, na espacialidade, a medida ou adiem-na para longe.

   E os outros, aqueles que também votaram a  favor na generalidade?

   Da direita, já se sabe o que se pode esperar.

   Da esquerda, o BE e o PCP  não se espera grande coisa. Só sustentam um pouco o poder mas pouco podem. Não mandam grande coisa a não ser viabilizar medidas gravosas do PS em sede de Orçamento de Estado a troco de umas ínfimas migalhas. Vê-se isso nas Público/Privadas onde quem ganha são estas últimas e viu-se no caso da recuperação do tempo de serviço dos professores onde venceu a predisposição governativa para trocar pessoas por bancos, os pouco milhares pelos muito milhões. O BE e o PCP deviam reflectir se fazem bem em viabilizar um governo de direita em que se dá aos ricos e se tira aos pobres.

20
Jun19

Exercícios do espírito

publicado por júlio farinha

    Pensar  é um exercício lógico. Se o não for, como acontece por vezes  na poesia, transforma-se num monte de devaneios do espírito porque lhe falta o rigor e a coerência.

   Pensar tem método. É um conjunto de raciocínios em que de premissas se segue, com regras, conclusões. A obra poética é subjectiva. A Lógica é objectiva.

   Aqueles que procuram pensar e exprimir logicamente esse substrato distinguem-se claramente dos que não só pela forma como pelo conteúdo se dedicam a versejar.

   Não obstante, as duas formas de exercício do espírito humano são ambas louváveis porque são produtos da humanidade e com ela cresceram.

   Há quem escreva com lógica, faça belas poesias e aqueles que são incapazes  de uma coisa ou de outra. A lógica está certa ou errada. A poesia é bela, profunda ou feia e formalmente adequada ou não  ao pensamento. 

   Tanto na lógica como na poesia e na prosa aparece por aí muita trapalhada.

   Finalmente, há quem pense e escreva bem mas não é lido.  

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