Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

oraviva

oraviva

19
Fev20

O virtual é real

publicado por júlio farinha

   O real é o conjunto das coisas que são e que não são. Nesta visão podemos, então, dizer que até o virtual é real. A nossa vida na blogosfera é feita, na realidade, de seres, pensamentos, sentimentos, sonhos e apontamentos da nossa própria história. Sendo assim, podemos dizer que a internet tanto nos une como nos separa, e que aquilo que somos virtualmente passa a ser algo de real e vice-versa.

   Comunicamos e deixamos que nos comuniquem. Na vida real e na vida virtual. Pois, são ambas verdadeiramente existentes. Talvez que a única diferença, a havê-la, esteja no contacto físico. Mas, pode um ser humano, por exemplo, amar outro à distância? Sim, obviamente. Fernando Pessoa viveu um amor platónico e ninguém pode dizer, fazendo fé nas suas cartas de amor a Ofélia, que não era um amor terno e sincero.

   O contacto físico parece ser necessário, segundo as leis da natureza, para haver uma integral entrega recíproca entre dois amantes. A internet não substitui, de facto, o afecto físico, a carícia, o olhar, o toque, a pulsação da entrega feita da intenssíssima doação dos corpos, a ousadia e o entusiasmo de ir sempre mais além na entrega sexual.

   Sumariando - o desejo, a aproximação e o calor amoroso não são exclusivos do amor físico. Há sobejos casos de dois seres que se apaixonam e vivem um amor sem se conhecerem físicamente. O amor vai, neste caso, buscar o conhecimento a várias fontes incluindo à intuição. Costuma resultar em sincera e forte amizade. No entanto, mais tarde ou mais cedo, a paixão irá solicitar  um estádio superior de amizade e de necessidade. De contrário, o amor apenas baseado na esfera virtual corre o risco de não passar à comunhão completa e total.

02
Fev20

Passarinhos fritos

publicado por júlio farinha

Há já muito tempo tive conhecimento de uma ideia bizarra que nos foi deixada por um membro do "Eixo do Mal". 

Quem se desloca na sinuosa estrada e antes de chegar, para quem desce, a Mértola indo de Beja, encontra um cruzamento que vai dar a uma aldeia nas margens do Guadiana que se chama, a propósito da minha história, "Pulo do Lobo".

Alma observadora deu com um predador agora já em vias de extinção, mas na altura desempenhando finções de Presidente da República à portuguesa. Tratava-se, pasme-se, do ilustre Cavaco Silva que atravessava um mau momento do (des)encontro com o pimeiro ministro de então.

Refugiado nas bordas do rio, mais exactamente no Pulo do Lobo, entregava-se à mastigação de ... passarinhos fritos! E para isso deu um pulo digno do mais refinado predador das inocentes avezinhas.

29
Jan20

Quase tudo

publicado por júlio farinha

Dei-te quase tudo,  quase 

Encontrei a verdade no livro da minha vida, quase

Fomos ambos solidários, quase

Vivi a tua beleza escrita nos meus olhos, quase

Entreguei-te quase toda a minha alma, quase

Olhei longamente a tua beleza, sempre

Passei as mãos trémulas em ti, toda

Devoveste-me o meu amor acrescido do teu, sempre

Beijei os teus seios desejosos de carícia,

E tu, amaste-me de mansinho da cabeça até aos pés

Ficou-me uma escrita prolífera do nosso amor, eterno. Até hoje.

Onde estiveres, não te esqueças de mim. Nunca.

 

26
Jan20

Formar, educar, ensinar

publicado por júlio farinha

   Já aqui se disse que ensinar não é exactamente o mesmo que educar. "Tout court",diremos que os pais e a sociedade educam mais do que a escola, e a esta cabe a tarefa fundamental de ensinar.

   A família educa, preparando as crianças e os jovens para a escola e para vida. Por sua vez, os professores e outros agentes educativos dentro da instituição escolar ensinam a aprender, dotando os alunos das ferramentas culturais, científicas e técnicas.

   É nesta interação entre a escola da vida e a vida na escola que se dá a transformação para um crscimento activo das personalidades e das competências sociais que fazem do aluno um interveniente esclarecido no meio em que se move.

   Fui professor quase durante quarenta anos e nunca escondi o meu apreço pelos meus colegas e pelos familiares dos alunos que sabiam distinguir os bons professores daqueles que se mostravam negligentes. Para os nossos ex-alunos, como para os seus familiares, vai o meu reconhecimento e o meu obrigado por me terem, por vezes, distinguido de forma gentil e benévola. Não escondo um sorriso cúmplice quando muitos dos meus alunos, muitos pais de filhos, me cumprimentam generosamente. Por outro lado, nós os reformados, penalizamo-nos quando um aluno se cruza connosco no supermercado e ele não se lembra de nós.

   Oiço com desagrado ouvir que o ensino e a educação nunca estiveram tão mal como agora. A responsabilidade, verdade, recai sobre as prepotências das autoridades ministeriais e do ostracismo a que os professores são votados. O ME e as escolas estão cheias de burocracia e em vez de se incrementar  um ensino criterioso e de qualidade atafulham-se os professores em papéis. Os professores trabalham em casa em demasia e não têm tempo para a sua família. 

   O ensino e a educação, sendo coias diferentes, não deixam de andar ligados. A família e a sociedade têm que mudar para instruír os miúdos em boas regras de educação. Por sua vez, as escolas e o seu pessoal docente, sobretudo, são obrigados a ensinar em más condições  - uma vinda das tutelas, outras vindo das próprias famílias e da sociedade. É por isso que ensino e educação andam de mãos dadas.

mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D