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oraviva

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28
Jan19

A dignidade

publicado por júlio farinha

Há pessoas que vivem à custa da insídia, da desonestidade e da prepotência.Têm um fim trágico, felizmente. Equanto esse fim anunciado não chega vão ludibriando os outros à sombra da invocação de altos valores (fingidos). Usam argumentos falaciosos e misturam prepositadamente problemas estritamente pessoais para levar à destruição dos incómodos adversários. Dizem-se políticos mas não são senão um simulacro destes. Aprendem as manhas daqueles embora nos digam raios e coriscos das suas práticas. Enfim, são seres desprezíveis que acabam por secar a vegetação generosa que um dia floriu à sua volta.

Há um valor que tem forçosamente que crescer na sociedade por vezes desprevenida. Há que dizer não aos déspotas escurecidos da razão. Há que os pôr no seu lugar: No esquecimento. Há que não vergar as costas perante tais ditadores. A isto chamo dignidade.

21
Jan19

Novo Blogue

publicado por júlio farinha

  Caros visitantes e leitores,

A par do meu blogue ORAVIVA surge hoje um novo blogue de grupo chamado RASURANDO.  Integram o grupo que se chama opus grei os seguintes nomes ou pseudónimos dos respectivos blogues individuais:

   .   Sarin, sarin - nem lixívia nem limonada

   .   Gaffe, A Gaffe e as avenidas

   .   naomedeemouvidos, Não me dêem ouvidos

   .   Mamimami

   .   Pedro Vorph, Blogue de Alterne

   .   Eduardo Louro, A Quinta Emenda

 

Eis os objectivos do Rasurando:

O projecto Rasurando tem apenas dois objectivos, 

Discutir o Estado e a Cidadania.

Com uma boa dose de ligeireza mais ou menos descomplicada, queremos abordar e questionar o que aceitamos e o que exigimos. Tentar contribuir para o Estado com mais do que impostos.

e

Convidar à reflexão conjunta.

Desafiando os nossos leitores a questionarem-se e a questionarem connosco estas matérias, pretendemos abordá-las por tantas perspectivas quantas as que nos lembrarmos. Ou nos lembrarem.

 

A cidadania exerce-se de muitas formas. Esta será mais uma.

Não somos políticos. Somos cidadãos minimamente politizados. E não queremos mudar o Mundo, apenas queremos convidar-vos à reflexão, aqui ali onde estiverem. Com quem estiverem.

Levantaremos mais dúvidas do que as que já temos? Talvez. Mas serão as nossas e as vossas dúvidas e não as certezas de outros.

 

Creio que posso esperar pela vossa presença ainda mais assídua no Rasurando que aquela com a qual me têm  honrado aqui no oraviva. Obrigado.

17
Jan19

A galinha da vizinha

publicado por júlio farinha

   O povo tem coisas muito boas e outras bastante más. Das boas não falarei porque muita gente na literatura as enalteceu, de Camões a Saramago. Das más, ocuparam-se entre outros Gil Vicente e os emissários modernos da burguesia.

   Eu, que vim do povo e lá regresso amiúde, detesto os vícios e um senso comum desclassificado de certo povo desapossado de certos bens espirituais e materiais. A pobreza desencrava, entre outros defeitos, a inveja.

   Invejar o outro provém de um impulso não congénito difícil de entender ou descrever. Apreende-se melhor factualizando.

   Um dito muito vulgar, tão vulgar como o facto que pretende sumariar, informa-nos sobre o que é que um membro do povo sente quando não tem aquilo que o outro tem. " A galinha da vizinha é melhor que a minha" – dizem os invejosos que se roem por dentro por se julgarem, em exclusão, menorizados perante o possidente. Assim, é vulgar que o pobre inveje o rico, que o  feio por despeito desdenhe do bonito, que aquele que tem um Fiat olhe com raiva para o condutor de um Mercedes ou BMW, e por aí adiante.

   A inveja é um sentimento pobre em si e não prestigia quem dele e por ele sofre. Talvez  seja preferível substituí-lo, por uma nesga de autoestima e por uma vida virada saudavelmente para os exteriores e menos para si.                   Talvez assim mereça o povo ser subtraído ao flagelo da baixa comparação e possa positivamente alcançar aquilo que acha que lhe faz falta.

   Por outro lado, também é preciso não esquecer que a inveja é fruto das desigualdades cujos responsáveis são conhecidos: as classes economicamente dominantes e a ideologia que deles provém e as vai alimentando. A inveja e outros defeitos não desaparecerão sem o fim dos regimes em que temos vivido e, simultaneamente, com uma educação  socialmente válida do povo e dos outros que  promovem aquela inveja e restantes defeitos.

10
Jan19

Desconstrução

publicado por júlio farinha

Eu sou eu e as minhas circustâncias (Ortega y Gasset, citado aqui por P.P.).

Pode alguém escolher as suas circunstâncias? Claro que, no geral, não pode. No entanto, pode esse alguém agir sobre estas, construir o seu próprio mundo e tornar-se numa pessoa melhor. Mas o que poderá ser uma boa pessoa, residindo no seu eu desejado? Espinosa era de opinião que a arte de bem viver e, logo, ter um eu consentâneo com um bom modo de vida passava por cada um fazer boas escolhas.

É difícil dizer o que são boas escolhas. Genericamente, cada um, na sua inviolável individualidade deve saber o que convém ao seu eu. Depende de cada um e dos seus motivos.

Mas não pode o homem social fazer escolhas olhando somente para o seu umbigo. Logo, a boa escolha deve algo à ética e à moral, pelo menos.

Para não continuarmos a fazer perguntas ad eternum, fiquemos pela ética. Para não atropelarmos ninguém na procura e afirmação do nosso eu este tem que se conformar com valores e regras. Estes e estas não podem ser arbitrárias nem ficar ao critério nem do senso comum nem de ditadores. É assim que numa demoracia plena algo tem que guiar a acção social. Chamemos-lhe Razão. Esta, que na filosofia Kantiana, e não só, brota do intelecto.

Para alguns filósofos, e nomeadamente para o pensamento cristão, a Razão tem , digamos, um grau limitado de autonomia e fazem depender a validade desta de um demiurgo, ou Deus, dador das faculdades humanas- pelo que a procura científica pelo conhecimento repousa mais na Fé do que na Razão. A maior parte dos homens de ciência pensa o contrário. Eis um soberbo exemplo. Certo dia, o famoso cientista Laplace foi questionado assim por Napoleão: porque não menciona uma só vez o nome do criador na sua Opera Celeste? Ao qual respondeu o astrónomo: não tive necessidade dessa hipótese.

As duas concepções admitem, por vias destintas, a chegada à construção integral do homem. Mas o homem, nascido bom, tem escolhos no longo caminho da vida e, por vezes, torna-se mau. Então a construção implica, quase sempre, desconstrução que pode ser penosa. A felicidade, seja lá o que isso for, atinge-se com sacrifício e muito trabalho. Estamos nós dispostos a reconhecer que estamos mal e fazer o que é necessário para progredirmos em reação ao Bem e ao Bom? À vezes tenho dúvidas, e elas comprometem a minha dedicação à transformação de mim mesmo e do real.

 

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