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oraviva

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16
Dez19

Greta a grande

publicado por júlio farinha

   As pessoas mais amadas por muitos são as mais odiadas de poucos. Greta Thunberg é um exemplo disso e um verdadeiro case study. Nascida num dos países mais ricos do mundo tem apenas 16 anos de idade mas uma mentalidade, uma personalidade e uma consciência cívica fora do comum. Interrompeu os estudos para se dedicar em exclusivo à causa ambiental. Diagnosticada com Síndrôme de Asperger diz que ser diferente é como se tivesse um superpoder.

   Os detratores da jovem militante pela saúde do planeta têm-se vindo a identificar : são sobretudo a OPEP, os países mais industrializados, e os poderes políticos mais à direita que os suportam. A todos Greta chama  poder e a eles lança o repto da mudança em direcção de um planeta sem emissões de carbono. A favor situam-se os jovens, homens e mulheres de amanhã,  as organizações ambientais, os partidos e organizações de esquerda, e a maior parte da imprensa não alinhada, e a comunidade científica.

   Os detractores, deitando mão de insidiosos argumentos ad hominem, estão a perder terreno e os movimentos de apoio e incentivo a Greta assumem proporções  poderosas.

   Está em curso uma verdadeira revolução da consciência ambiental destinada a fazer um futuro limpo da nossa Terra. Isso só pode ser feito pelos mais novos porque como afirmou a jovem Thunberg a paragem da catástrofe não pode ser evitada recorrendo à actuais regras - é preciso mudar as regras.

Se me permitem, vou mais longe: exigimos do actual poder aquilo que ele não pode fazer - temos que mudar o poder.

10
Dez19

Os novos professores

publicado por júlio farinha

   Há quem pense que os futuros professores nada têm a aprender com os mais velhos. Não concordo. A formação contínua e a formação ao longo da vida têm um valor inestimável para os futuros professores.

   A presidente do Conselho Nacional da Educação observou: o sistema de recrutamento dos novos professores que se baseia numa lista graduada "é transparente, mas não tem em conta a formação contínua, a qualidade e diversidade da experiência dos candidatos" e, note-se, "nem responde às necessidades das escolas com projectos singulares".

   O actual regime de selecção dos candidatos baseia-se, sobretudo, no caso dos professores "provisórios" na nota final de curso e nos anos de serviço já acumulados. Ora, o primeiro lapso consiste aqui em contabilizar tempo de serviço para aqueles que ainda o não têm. Os candidatos não deveriam ter, obviamente, qualquer ano de serviço! Ou estará a senhora a falar de progressão na profissão daqueles que já lá estão? Ou o jornalista do Público fez confusão?

   Vamos pensar que os candidatos se candidatam pela primeira vez ao ensino. Segundo a directora do CNE é preciso haver formação contínua. Certo. Mas ela já existe para aqueles que estão no sistema. E esbarramos de novo com a contradição já apontada.

   O flagrante "delito de opinião" está contido no seguinte articulado proferido pela responsável do CNE: é muito importante, senão obrigatório, que o perfil dos candidatos responda aos projectos das escolas ou agrupamentos. Ou seja, os novos têm que se subordinar a um projecto pré-feito da autoria dos velhos professores que estão no sistema, quando a maior parte deles já há muito que deviam estar em casa a descansar da escola "inclusiva"  ou, para aqueles que o quisessem, a laborar no exercício de tutorias sobre os mais novos.

   A opinião da responsável do CNE não suspeita no que daria esta submissão dos candidatos a professores aos projectos de escola, normalmente rascunhos mal amanhados, feitos por aventureiros e não exequíveis. Já para não falar daquilo que viria por arrasto - a liberdade tirânica de qualquer director de escola que escolheria a dedo quem merce ou não ser professor. 

   

   

   

 

05
Dez19

Passarinho aventureiro

publicado por júlio farinha

   Era uma vez um passarinho que esvoaçando junto de uma escola apanhou as janelas da sala de aula abertas e vai daí, num arremeço de sem vergonha, entrou sala adentro sem pedir licença. Para desespero do professor e gáudio da turma.

   A miudagem entrou em alvoroço. O professor, adepto da escola tradicional, ao perder o controlo da turma, ordenou que se desse caça ao intruso e ordenou a sua expulsão. Os miúdos ficaram tristes e não mais naquela aula deram importância ao mestre comentando a aventura breve do inesperado visitante.

   Dá-se o caso dos alunos terem a disciplina de Ciências da Natureza, agora chamada de Estudo do Meio. Essa circunstância levou o delegado da turma a confrontar o professor com a seguinte dúvida: não teria sido preferível aproveitar a estadia do "convidado" para terem uma aula sobre as aves? 

   Quem escreve esta singela prosa é partidário das novas pedagogias e entre escola à antiga e a escola moderna prefere esta última.

02
Dez19

Não se passou nada

publicado por júlio farinha

   Um professor de Ciências da Educação - quando esta cadeira ainda era ministrada na Faculdade de Letras - contou aos seus alunos o seguine episódio hilariante e sério, ficcionado ou não.

   A segunda guerra mundial que alterou profundamente a vida de quase toda a humanidade,  ceifou da face da terra milhões de pessoas e destruíu a maior parte das infraestruturas dos países beligerantes e dos seus aliados. A guerra mundial, como todas as guerras, não podia, de maneira nenhuma, ser branqueada. As sequelas que deixou tinham forçosamente que permanecer por muitos anos.

   Quando a guerra acabou, deixando um rasto de destruição e de más memórias que inviabilizariam por muitos anos a possibilidade de uma vida normal , um professor que leccionava numa universidade  retomou a sua cátedra, pouco depois da vitória dos aliados, e nessa primeira aula no pós-guerra, depois de ter interrompido a leccionação durante os mais duros anos da destruição, dirigiu-se aos alunos da sua turma e, sem mais delongas ,começou a sua primeira aula após o holocausto dirigindo-se nos seguintes termos aos jovens estudantes: como dizia na última aula .... E prosseguiu.

   O professor era manifestamente um distraído ou, caso mais grave, um isensível. Não é crível que pessoas com um suposto elevado estatuto cultural que a sua função prevê façam como o macaco que não ouve, não vê, não fala. Não seria assim se o fascismo  lhe batesse à porta. Para ele, que deve ter tido a cabeça enterrada na areia durante perto de meia década, não se passou nada. O senhor ostracizou a verdade  mostrando que o pior inimigo da intervenção é a indiferença. A guerra não teve lugar, não houve câmaras de gás nem atentado ignóbil à dignidade humana. Deu-se um salto na História, uma verdadeira negação da hecatombe, uma absolvição tácita do nazismo, uma omissão redentora de um dos mais negros períodos de que há memória. 

   "Como dizia na última aula..." que foi ontem ... vamos tratar da origem do espírito santo, porque não se passou nada.

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