Sorte do norte desnorteado
Deu-me a sorte, um dia destes, um denorteado caminho que percorri ao sabor do norte. Fiquei preso desse norte ao sabor de uma morte anunciada. E sem o saber, percorri o caminho alagado de lágrimas e, portanto, me submeti a esse sabor sem norte na anunciada morte. Não, me disse, o sabor do triste norte, preso ao tal sabor da grande sorte. Pena foi a minha não ter ideia da morte que me era então anunciada. O destino, desatinado, me arrancou os cabelos quase todos num instante de cima a baixo. A cada pelo arrancado substituiu-se uma ideia. Como tivesse tido grande razia no couro cabeludo a minha sorte foi ter ficado carente de ideias. Assim me encontro agora: Vazio de ideias, desnorteado, sem sorte, que esta não me tem por feliz. Há tempos que sabia o que agora relevo: a minha escrita está em dificuldades. Como se se tratasse de uma morte anunciada.
