Músicas de sempre (87)
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"O cérebro segrega o pensamento assim como o fígado segrega a bílis" - frase atribuída a Descartes e aos materialistas do século XVII.
Não há pensar sem a base material que o produz, nem há qualquer instância sobrenatural que esteja na sua génese. Tudo é material, tudo é consequência da matéria incluindo aquilo que se designa por espiritual.
A alma não existe, de facto. Atribui-se o termo a um atributo humano localizado no cérebro responsável pelas emoções e pela razão. A própria inteligência emocional, própria pelo debitar dos sentimentos e pelo conhecimento de si e pela compreensão do outro é, tudo razão - embora lhe demos diferentes nomes por facilidade de análise.
Do mesmo modo, os humanos não amam com o coração mas com a cabeça. Nesta, o cérebro detecta impulsos nervosos, eléctricos e transformam tudo isso em acção, em linguagem. Os sentidos do ser humano: tacto, visão, audição, paladar e olfacto constroem o mundo sensorial que, por sua vez, interpreta e formata a realidade de cada um.
Sem pensamento não há acção humana e sem acção humana o pensamento é estéril.
Bons pensamentos dão em boas acções e boas acções fazem nascer bons pensamentos.
A nossa vida, disseste um dia, é uma complicação
Dá-nos com os pés tira com a mão.
É porta fechada em vez de aberta
A nossa vida de nuvens encoberta.
É assim, pensas tu bem, um ter do que nada tem.
O real é o conjunto das coisas que são e que não são. Nesta visão podemos, então, dizer que até o virtual é real. A nossa vida na blogosfera é feita, na realidade, de seres, pensamentos, sentimentos, sonhos e apontamentos da nossa própria história. Sendo assim, podemos dizer que a internet tanto nos une como nos separa, e que aquilo que somos virtualmente passa a ser algo de real e vice-versa.
Comunicamos e deixamos que nos comuniquem. Na vida real e na vida virtual. Pois, são ambas verdadeiramente existentes. Talvez que a única diferença, a havê-la, esteja no contacto físico. Mas, pode um ser humano, por exemplo, amar outro à distância? Sim, obviamente. Fernando Pessoa viveu um amor platónico e ninguém pode dizer, fazendo fé nas suas cartas de amor a Ofélia, que não era um amor terno e sincero.
O contacto físico parece ser necessário, segundo as leis da natureza, para haver uma integral entrega recíproca entre dois amantes. A internet não substitui, de facto, o afecto físico, a carícia, o olhar, o toque, a pulsação da entrega feita da intenssíssima doação dos corpos, a ousadia e o entusiasmo de ir sempre mais além na entrega sexual.
Sumariando - o desejo, a aproximação e o calor amoroso não são exclusivos do amor físico. Há sobejos casos de dois seres que se apaixonam e vivem um amor sem se conhecerem físicamente. O amor vai, neste caso, buscar o conhecimento a várias fontes incluindo à intuição. Costuma resultar em sincera e forte amizade. No entanto, mais tarde ou mais cedo, a paixão irá solicitar um estádio superior de amizade e de necessidade. De contrário, o amor apenas baseado na esfera virtual corre o risco de não passar à comunhão completa e total.
Há já muito tempo tive conhecimento de uma ideia bizarra que nos foi deixada por um membro do "Eixo do Mal".
Quem se desloca na sinuosa estrada e antes de chegar, para quem desce, a Mértola indo de Beja, encontra um cruzamento que vai dar a uma aldeia nas margens do Guadiana que se chama, a propósito da minha história, "Pulo do Lobo".
Alma observadora deu com um predador agora já em vias de extinção, mas na altura desempenhando finções de Presidente da República à portuguesa. Tratava-se, pasme-se, do ilustre Cavaco Silva que atravessava um mau momento do (des)encontro com o pimeiro ministro de então.
Refugiado nas bordas do rio, mais exactamente no Pulo do Lobo, entregava-se à mastigação de ... passarinhos fritos! E para isso deu um pulo digno do mais refinado predador das inocentes avezinhas.
Dei-te quase tudo, quase
Encontrei a verdade no livro da minha vida, quase
Fomos ambos solidários, quase
Vivi a tua beleza escrita nos meus olhos, quase
Entreguei-te quase toda a minha alma, quase
Olhei longamente a tua beleza, sempre
Passei as mãos trémulas em ti, toda
Devoveste-me o meu amor acrescido do teu, sempre
Beijei os teus seios desejosos de carícia,
E tu, amaste-me de mansinho da cabeça até aos pés
Ficou-me uma escrita prolífera do nosso amor, eterno. Até hoje.
Onde estiveres, não te esqueças de mim. Nunca.
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