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11
Abr18

Ensino global

publicado por júlio farinha

   "Toda a velha sociedade está prenha de uma nova" (K.Marx). O futuro requer vir à luz do dia.

   Quando pensamos em educação surgem-nos perguntas pertinentes (algumas das quais de difícil resposta). Enlenquem-se e comentem-se algumas. Para haver mudança é necessário alterar os currículos? Não será que a "flexibilização" já em curso nalgumas escolas não é mais do que uma operação de cosmética feita à revelia das escolas - não será que anuncia a constatação de que "é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma"?  É possível aprender em turmas superlotadas?  Requere-se um ensino especializado ou "generalista"? Somos a favor ou contra a transversalidade? Um professor de Matemática tem que ser bom em Português, Línguas, Ciências, etc., ou "cada um no seu galho"? Quais são as causas da indisciplina na sala de aula? O ensino atual carateriza-se por ser desinteressante, livresco, expositivo e centrado no professor? Os professores perdem terreno para as novas tecnologias em termos de informação e comunicação? O nosso ensino está desligado da realidade, está "envelhecido"? Existe cansaço nos alunos e nos professores? Há falta de convicção e "alegria" dos professores por  não conseguirem estabelecer empatia com os seus alunos?

   A nosso ver, a maioria destas interrogações produz conclusões  afirmativas.

A ser assim, ousemos fazer duas propostas a pensar, sobretudo, nos 2º e 3º ciclos do Básico.

   Em primeiro lugar, sugerimos que se generalize e reformule aquilo que já se faz há muito tempo e em muitas escolas: reconfigure-se o conceito de "visita de estudo" e evitemos emprestrar-lhe o nome de passeio.

Assim, convidamo-vos, professores, a saírem das salas de aula e, com um plano bem elaborado, dirijam-se com os alunos, por exemplo, ao Castelo de Almourol em Tancos- Vila Nova da Barquinha.

A "visita de estudo e trabalho" será orientada pelo Diretor de  Turma e organizada por todos os professores da turma que serão previamente "motivados" para a iniciativa. Cada um adaptará a sua participação ao contexto: castelo medieval, Templários, Gualdim Pais, defesa territorial, rio Tejo,poluição, fauna piscícola do rio, gastronomia, passeio fluvial, subida para o castelo,  torre de menagem, ameias, etc. lendas árabes, encontro e comunicação com turistas estrangeiros,etc. Fiquem descansados com a informação localizada. Deixem-na para o barqueiro que vos levará até à ilha. Sabe tudo sobre o que interessa saber sobre o castelo e os Templários.

   Os docentes devem encarregar-se da produção prévia de pequenos textos e fichas de trabalho.

Posteriormente, haverá na escola um debate com todos os intervenientes sobre a atividade. Far-se-á um relatório sucinto da visita e das aprendizagens, havendo lugar a uma exposição com textos, fotografias, desenhos, passagem de vídeos, etc. No fim, divulgue-se o evento pelos meios disponíveis na escola e/ou na comunidade. E já está. Repita-se a receita várias vezes ao ano e vá-se apurando a confeção com novos ingredientes.

Nas restantes aulas, dadas em contexto da sala, aproxime-se a prática ao modelo das visitas: escolham-se temas e, à volta deles, fale-se e trabalhe-se Português, Matemática, Ciências, Educação Visual, História, etc. Promova-se um saber feito de diversidade.

 

   A segunda proposta é para ser concretizada na sala de aula, mas exige um condimento ainda não disponível - a existência de dois ou três professores por turma preparados para lecionar todas as disciplinas. De início, pensemos num professor encarregue das "letras", outro das "ciências", e um terceiro talvez bem dentro das "expressões". A ideia não é nova, mas exige que o grupo de alunos não ultrapasse a dezena. Neste caso, a sala de aula transforma-se numa sala de estudo e de trabalho. Os novos professores terão sido formados para "dar" (leia-se apoiar) todas as disciplinas do currículo e terão a liberdade, juntamente com os alunos de o alterar, conservando a matriz nacional. No fim de contas, estamos a falar de uma espécie de regresso ao 1º ciclo. Com uma diferença: cada sala disporia de um computador por aluno (em boas condições de funcionamento) para pesquisa  e trabalhos. Haveria psicólogos, assistentes sociais e técnicos de ensino especial para todos, bem como bibliotecas,  ludotecas, material de vídeo, de fotografia,etc.

 

   Provavelmente, tudo isto não passa de uma incursão nos campos do sonho mas, como dizia o poeta, este comanda a vida. Demos tempo ao tempo que novos tempos virão.

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