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13
Jul18

Gostar de ensinar

publicado por júlio farinha

   A equipa multidisciplinar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, coordenada pela Historiadora, Investigadora e Professors Universitária Raquel Varela, recolheu e está tratando cerca de 15.000 inquéritos validados, feitos a professores de todos os níveis de ensino, excepto aos docentes do ensino superior, para ajuizar da condição emocional dos professores portugueses.

 

   Segundo Raquel Varela, os professores sofrem de burnout. Esta síndrome, afirma a investigadora, pode caracterizar-se sumariamente por três factores. A exaustão emocional, a falta de realização profissional e a desumanização.

 

   Aquilo que já se adivinhava, pelo conhecimento empírico, veio a confirmar-se:  75% dos inquiridos revelam índices elevados de esgotamento emocional e 48% apresentam sinais muito preocupantes de exaustão. Isto sem se contabilizar, na amostra, os 10.000 profissionais que se encontravam, à data do inquérito, de baixa médica, muitos deles com atestados de longa duração.

   O grupo de trabalho apurou que os principais motivos que levam os professores ao mal-estar e à doença de matriz psicológica são essencialmente a indisciplina dos alunos, a burocracia e a idade.

   Apesar destes factores, mais de 90% dos inquiridos declarou, ao arrepio das evidências, que gosta de ensinar. Será esta razão que leva os docentes a manifestarem o seu desconforto e frustração através da implosão. Ou seja, os professores não descarregam o seu mal-estar nos seus alunos. Suportam autonomamente o sofrimento que lhe traz o desempenho da profissão. Tire daqui, quem quiser, as devidas consequências quando se falar em dignidade, profissionalismo e deontologia dos docentes portugueses.

 

   Este estudo, e consequentes conclusões, merecia constar como preâmbulo de um outro estatuto da carreira docente, pois constitui um libelo acusatório contra os poderes centrais, burocráticos e desumanizantes. A classe docente não clama pela compreensão e o reconhecimento, em parte ausente, das famílias e da opinião pública, porque se basta a si prória, orgulhosamente, na certeza  do seu valor profissional e social. Afinal, os professores são dedicados, competentes, e esforçados. Gostam de ensinar. Não fossem as circunstâncias e os obstáculos externos adversos e dispensáveis, e os professores seriam  profissionais felizes.

 

  ( Informação recolhida em: Notícias de Seia, RTP3,  blog beatriz j a  e vídeo da Fenprof -Estudo sobre o Desgaste na Profissão Docente -  6/7/18 - https://www.youtube.com/watch?v=DOTz-I7oxgI)

 

  

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