Mudar. Porque não?
Ao pensar retrospectivamente sobre os meus desígnios quando iniciei este blogue revejo nele um misto de presunção e de melagonamia. Propunha-me, como se o mundo devesse ser como o imaginava, escrever grandes e eloquentes tratados de política, filosofia, cultura e outras altas esferas da vida. Coisas complexas e próprias dos sábios.
Levei algum tempo a perceber que a maior parte das pessoas não ligava nenhuma ao que escrevia porque as pessoas não eram burras, o burro era eu. Não discerni tão cedo como devia que a vida real não era como a imaginava mas sim como as pessoas a sentem, vivem e pensam. Ou seja, a minha escrita era fútil, não as pessoas. As coisas simples, mundanas, íntimas como a maior parte dos blogueres a entendem têm maior riqueza de conteúdo do que aquela que lhes ofereci e rejeitavam.
Vislumbrei, então uma explicação para o relativo insucesso do meu esforço escriturário. E percebi porque é que textos como "Mãe", "Mundo Insondável" e "Escrever na 1ª Pessoa" tiveram mais sucesso do que os pretensos ensaios lógico-filosóficos. E porquê? Porque as coisas simples e escritas com o impluso do coração levam vantagem sobbre a extensa erudição.
Por vezes, basta uma pequena mudança de percepção para dar a volta à nossa posição face aos textos e aos comentários. Eu achava, no passado, que inserir sapinhos, flores, ou outras imagens sugestivas da comunicação era pedante, escrever nos comentários o envio de beijinhos tratando os interlocutores por amigo ou de querido ou querida era piroso. A razão e o perconceito não deixavam funcionar tais liberdades. Não. É de pequenas e simples mundividências que se faz a vida daqueles para quem escrevemos e a nossa própria vida. Nós somos infinitivamente mais interessantes e ricos assim do que quando nos julgamos "eruditos". Seremos, na serenidade do nosso ego, pessoas com alta autoestima que, sem alardes, não deixaremos jamais de trabalhar de maneira consistente o nosso intelecto.
