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oraviva

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30
Jun18

O tempo em dois tempos

publicado por júlio farinha

   O tempo tem dois andamentos. Um é lento, promissor, de futuro. O outro é o tempo do destempo, da negação do futuro, de um desfazer do presente.

   O anti-tempo é dominante, hoje, mas não o vai ser para sempre porque é o tempo do despudor, da aldrabice, do poder provisório, da corrupção, do não-ser, do parecer. Fingindo ser de hoje, não o é. Remete para ontem. Esse tempo simulado dos que agora, por (nosso) engano mandam, não se conta, não conta. É tempo perdido. Não faz andar a História. Está morto.

   O tempo do segundo andamento ainda não veio à luz do dia mas já se persente. Adivinha-se a sua aparição pelo movimento da vida e da acção dos actores sociais. Não é rápido no seu percurso, mas o seu despontar promete ser impetuoso, vibrante e conclusivo. Assemelha-se ao tempo que se concretizou, e traz consigo todos os gérmenes da sua contagem que se anuncia difícil mas inevitável. Este tempo conta-se, e conta, porque se traduz em solidariedade e em luta generosa. As voltas que o tempo dá para ser contado são cansativas, mas não são em vão.

  O tempo real de outrora, contemporâneo dos velhos trafulhas que ludibriaram quem o trabalhou, não contará para estes, enquanto que, para os novos de hoje e de sempre que o cumpriram, constituirá uma dívida a que têm, para sempre, direito. Nada será esquecido. Mais cedo ou mais tarde a razão intemporal vencerá.

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