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05
Jun18

Professores - resistência

publicado por júlio farinha

    Ao quarto dia do mês de Junho de 2018, o ME, finalmente pela mão do ministro - tão arredado que tem andado do contacto com os professores - sentou-se à frente dos sindicatos dos docentes. O ministro fez uma birra e, num inqualificável acto de vergonhosa e pueril chantagem, retirou da mesa os 2 anos, 9 meses e 18 dias que há tempos o ME havia “oferecido”. Antes terá afirmado, no dizer do Expresso, que “ou os sindicatos aceitam “apagar” anos de serviço ou perdem tudo” (Expresso, 4/6 20h08m). Que grande desorientação, irresponsabilidade e prepotência. Espera o governo outra atitude por parte dos professores que não seja o endurecimento da luta?

   Os sindicatos não abriram mão da exigência da recuperação de todo o tempo de serviço confiscado sem razão. Estiveram bem os sindicatos em não apresentar qualquer contraproposta. Como se diz, o tempo conta-se, não se negoceia. Não pode haver cedências. Estiveram bem a Fenprof, a FNE e todos os outros da Plataforma. Unidos é que é. A FNE surpreendeu favoravelmente ao sugerir, desde já, a intenção de paralisar, no início do próximo ano lectivo.

   A próxima batalha – se não for já, como sugerem os sindicatos, a greve aos exames e às aulas que ainda decorrem – é para se iniciar a partir deste mês com greves às avaliações. Os alunos não serão prejudicados, pois já não têm aulas. Os pais irão de férias nas datas marcadas se a luta se prolongar – só não saberão de imediato se os filhos passaram de ano. As matrículas podem ficar para mais tarde. As escolas ver-se-ão a braços com os problemas da constituição de turmas e dos horários, com a requisição de professores, e outras questões organizativas. As direcções das escolas pouco poderão fazer para minorar os efeitos da greve. Por isso, ela é poderosa. Se as greves não provocassem constrangimentos às entidades patronais, seriam inócuas. A greve dos professores não causa danos imediatos ou irrecuperáveis às populações. Ironicamente, este tipo de greve pode penalizar os professores. Se a greve se arrastar, os professores terão, eles sim, que protelar as suas férias. Mas este é um risco que têm que correr. O objectivo da recuperação integral do tempo está ao alcance dos professores. Há que contrapor a dimensão do sacrifício à canalhice que fizeram aos professores. Resistir, não ceder.

   A eficácia da greve está garantida. Basta um professor faltar à reunião para que esta não se realize. Cabe aos sindicatos agilizar estratégias, mobilizar e ajudar os professores a organizarem-se em cada escola, de modo que as paralisações sejam um êxito com o mínimo de custos materiais para os professores.

   Não há razão nenhuma para que os professores não façam greve às avaliações. Os que a não fizerem, devem interrogar-se sobre a legitimidade ética e a justiça de poderem vir a colher os benefícios conseguidos à custa de apenas alguns. Solidariedade e união precisam-se.

 

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