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oraviva

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30
Nov18

Professores - triunfo da Razão

publicado por júlio farinha

A recente Resoluçao aprovada no âmbito da discussão do OE 19 recebeu os votos sim de todas as bancadas da Assembleia da República, excepto, claro, da do PS que deu o dito por não dito em relação a uma outra aprovada há meses com teor semelhante a esta última. Na primeira, os deputados socialista tinham-na aprovado. Agora fizeram uma pirueta digna de exímios artistas de circo.

   Esta última resolução obriga o governo a renegociar. Estiveram bem os deputados do CDS, PSD, Verdes, BE e PCP. Continua a ser obrigatório para o governo discutir com os sindicatos o modo e os prazos da recuperação do tempo congelado. Na íntegra.

 

  Lembremos que o Governo fez sair, na véspera do dia mundial do professor e de uma manifestação dos docentes, um Decº Lei infame e provocador determinando, como se fosse o dono disto tudo, que o tempo que oferecia, à força, aos professores, era nem mais nem menos do que 2,5 anos. Ficaram mais de 7 de fora. O governo e o Me (é tudo a mesma coisa) revelaram, mais uma vez o desprezo a que votam aos professores. Sabe-se que a anterior negociação foi um simulacro, um ímpeto de patifaria desses desgovernantes nos quais muita boa gente ainda acredita.

 

   Na Madeira , uma parte do território nacional, foi seguido o princípio da devolução de todo o tempo ainda não contado. Foi uma atitude política de valor na qual o PS, que também o há cá (ou talvez não) votou a favor. Mário Nogueira caracterizou assim a acção:  é sustentável, uniformizador e é totalmente recuperador. Esta circunstância levou uma professora do quadro a dizer-me que era de pensar em concorrer para aquelas amenas paragens onde os professores são ouvidos e respeitados. Sendo que lá há uma grande falta de docentes.

 

   Por cá, é reconfortante saber que o respeito e a consideração pelos trabalhadores do ensino ganha adeptos nos mais insuspeitos quadrantes. É um sinal positivo para o futuro. Tiro, pois, o chapéu aos deputados que propuseram e votaram sim na Resolução. Não me cabe a mim ajuizar, e não me interessa especular, sobre eventuais motivos adjacentes ao voto. O que está feito, feito está. A Resolução reabre um caminho que o governo fechou. O PS  e o seu Costa devem ter ficado desolados com aquilo que este temia: maioria negativa.

 

   O PS pode não ter maioria absoluta nas próximas eleições. Pode até perdê-las. Para já, reparo que o PS se enrola, não progride intelectualmente, não tem ideias. Mete-se em touradas, o Alegre parece assanhado com a Ministra da Cultura, ninguém sabe dizer das granadas roubadas e para que efeito eram, o ministro do ambiente é uma anedota, insistem e desistem da exploração do petróleo em Aljezur, as clientela são mais que muitas, e o bolo tem pretendentes a mais, graça o oportunismo e o carreirismo, o prenúncio de uma deriva, enfim.

 

   No que a eles diz particularmente respeito, os professores, estou certo, darão uma resposta à altura das trapalhadas do governo. É certo que a Razão ainda não triunfou em pleno: falta recuperar todo o tempo até agora confiscado. Para já, temos nos professores uma oposição qualificada. Quase todo o Parlamento está do lado da Razão e esta está com os docentes. O governo e o PS perderam credibilidade perante os professores e da opinião pública esclarecida. A imprensa independente e livre tem simpatia pela tenacidade, pelo orgulho e dignidade demonstrada pelos professores.

 

  Há professores que não acreditam nas potencialidades da Resolução que manda o governo negociar e dizem que se trata de uma maneira de protelar o problema. Sem dúvida que isso é possível. Muito dependerá da atitude e da disposição dos professores e dos sindicatos no processo. O governo ao aprovar o famigerado Decreto dos 2,5 anos não quis protelar. Quis dizer: acabou o barulho, acaba-se já com a guerra. Eles desistem. Eles estão cansados e fartos dos sindicatos. Quanto à Resolução, o PS não ficou nada contente. Foi uma humilhação ter ficado a falar sozinho.

 

   O dito Decreto -lei, ao que sei, ainda não foi promulgado pelo PR. Se este o fizer, está a desrespeitar o Parlamento que acaba de aprovar por larguíssima maioria a recente Resolução semelhante àquela que o governo ignorou.

   Caros professores, (eu, aposentado ao fim de 40 anos de serviço, sinto-me sempre professor), sei que algum desânimo vos percorre devido a muitos  lutas que não produzem resultados. Tal como deixei aqui escrito, há muito tempo, no artigo Professores – contornos da razão, o copo tanto enche que transborda e por vezes fica  a meio. É minha convicção que o copo se vai encher de novo. É a dialéctica das coisas e quem o diz é aquele militante detentor de alguma experiência em intensa intervenção passada no domínio social e político. Preparai-vos para a eventualidade da existência de escolhos e reveses. O caminho pode não ser sempre a direito mas, como opinava Pitágoras,  o caminho mais difícil é o melhor. Permitam-me um conselho de velho: com bom senso, paciência e confiança no devir tudo se vai resolver. Contem com as próprias forças mas não deitem fora as ajudas, venham elas de partidos, dos sindicatos ou da imprensa. Não deixem que vos vençam pelo cansaço, nem troquem a Razão pelas emoções. Os professores são pessoas- Pessoas cultas e inteligentes. Força!

 

PS:  Sendo verdade que não se anda a pés juntos e que temos que dar um passo de cada vez, ponham (sobretudo os mais antigos) na agenda: reforma aos 36 anos de serviço independentemente da idade, sem penalização, após contagem integral do tempo devido e consequente reposicionamento na carreira.

 

 

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