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oraviva

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02
Jul18

Reunião horrível

publicado por júlio farinha

   Foi assim que António Costa caracterizou o encontro dos 28 países da UE sobre a lei de Asilo Comum.

   A reunião foi inconclusiva tendo produzido apenas ajustes bilaterais para contentar a radicalizada Itália. Nessa reunião não se passou praticamente de um ridículo ponto prévio a saber: devia a questão dos refugiados ser considerada um assunto europeu?

   O chamado grupo de Visogrado (Hungria, Polónia, República Checa e Eslováquia), com a colagem da Áustria, dizia que não. A aceitar-se esta radical proposta, todos os presentes regressariam imediatamente a casa. A Itália, adoptou uma posião cínica. Sim, a coisa era assunto europeu … desde que isso não incluísse a Itália .Esta fartou-de de barafustar e de proferir ameaças – que surtiriam efeito: os restantes países aceitaram partilhar o acolhimento dos emigrantes provenientes do Mediterrâneo, desviando-os de Roma, num esquema de voluntariado sem que alguém se candidatasse a tal função.

   Esta circunstância deixa tudo na incerteza e na indefinição. Certeza é a de que não haverá, nem se vislumbra que venha a haver, política comum de asilo. Passam a existir espaços de concentração (onde é que já ouvimos isto) nos países que os criem, e onde se fará a triagem dos que passam a ser aceites como imigrantes ilegais e daqueles que serão devolvidos à origem.

   António Costa defende, nas parcas condições estabelecidas, uma honrosa posição que é a de Portugal. Na impossibilidade de uma política global, negoceiam-se acordos bilaterais estado a estado. Por exemplo, já se concordou com Merkel no repatriamento de 200 refugiados a viver na Alemanha que para lá foram a partir de Portugal. É pouco, mas sinaliza uma posição de princípio que se aplaude. Portugal também está em vias de negociar a aceitação de exilados a viver na Alemanha destinando-lhes colocação como estudantes e trabalhadores dos mais diversos campos de actividade. Costa é fiel a uma política europeia comum, mas também é fiel à sua amizade com Merkel (noblesse oblige) que está em apuros por causa das inclinações populistas e antiemigração dos seus parceiros da CSU que a pressionam ainda mais para a direita.  

   A Europa vacila perante os ventos do populismo e acusa debilidades na sua política comunitária e solidária. Merkel está a ficar fraca e com ela enfraquece a Alemanha que não pode esperar nada de bom de eventuais eleições.Para já,o ministro do Interior ameaça demissão.

   Quer se goste ou não, Merkel sustenta uma Alemanha que tem sido o pilar central da estrutura da Europa unida. O que poderá ser uma Europa sem Merkel, na actual conjuntura? Nunca uma dirigente, não sendo social democrata, precisou tanto do apoio dos amigos de esquerda e do centro. Não será altura de Macron aparecer com mais protagonismo?

   Quanto àqueles que resultaram do destilado da ex URSS, e que se apresentam como vergonha da Europa civilizada, devem ser tratados como coisas abjectas. Não sei se não se devia considerar a exclusão sumária da União de países que não cumprissem os elementares deveres humanitários, nomeadamente a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

   E porque razão se continuam a dar chorudos fundos de coesão à Polónia, República Checa, Hungria e Eslováquia que não usam de nenhuma coesão com os restantes países da UE?

 

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