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oraviva

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23
Jun18

Conversa fiada

publicado por júlio farinha

   Amigo do Costa: Oh pá, devolve lá os 9 anos, 4 meses e 2 dias aos professores.

   Costa: Já viste quanto é que isso custa? 

   Amigo:   Quanto?

   Costa:   Eu não sei bem porque os meus contabilistas aumentam sempre um bocado  a coisa para impressionar. Mas é pra aí uns 600 milhões.

   Amigo:  Olha que o David Justino, que até nem era muito chegado aos professores quando esteve no governo, fala em 400 milhões.

   Costa:   Mesmo que seja isso. Continua a ser muita massa. O Centeno não deixa

   Amigo:   Mas o primeiro- ministro não és tu?

   Costa:    Eu, às vezes, já não sei o que é que sou. É que o gajo é que é o presidente do Eurogrupo. E esses mandam muito. Os gajos chateiam-nos com o défice e o Centeno quer ficar bem visto, percebes?

   Amigo:  O défice? Quando já se enterraram quase 20 mil milhões no sistema financeiro, vocês estiveram-se marimbando para o défice. Oh Costa!

   Costa:  Mas nós temos que proteger o sistema financeiro.

   Amigo:  Ai é? E não se pode proteger a classe docente?

   Costa: Nós precisamos mais do sistema financeiro do que dos professores, estes não nos dão pilim. Vê lá o nosso ex-ministro do nosso ex-primeiro- ministro, que arrecadou umas massas do dono-disto-tudo. Os professores são uns tesos. Aliás, os banqueiros distribuem o dinheiro que a gente vai buscar aos impostos para eles darem aos amigos, entre os quais estão muitos camaradas nossos. Vê lá o benemérito do BES ,que enchia os bolsos a quem lhe ia comer à mão a troco duns serviços por encomenda.

   Amigo:   Tá bem. Mas não arranjas aí uma solução para os professores? Porque é que não lhes segues o exemplo? Nas greves às avaliações, que estão a ter uma adesão que nunca esperarias nem desejavas, eles quotizam-se para pagar aos colegas mais sacrificados com os descontos que a luta acarreta.

   CostaEstás a sugerir que eu ponha dinheiro do meu bolso para pagar os tais malvados 9 anos, 4 meses e 2 dias que nunca deviam ter nascido? Eu, pagar para áqueles que de costume ponho a trabalhar para me pagarem a mim? Eh pá, estás a ver o filme ao contrário. O meu dinheirinho custou-me muito a ganhar. Foram muitas horas a preparar argumentário para enganar os pagantes e convencê-los a votar sempre em mim, haja o que houver.

   Amigo (farto da conversa fiada):  Bem, suponho que não deves ter os 400 milhões trocados e o dono-disto-tudo já não está operacional. Mas vai aos membros do governo, aos teus deputados, aos teus políticos com reformas vitalícias, aos teus presidentes de Câmara, aos teus assessores e aos milhares dos teus boys dirigentes e dirigidos no aparelho e Estado que chupam o orçamento. Sê criativo. Aprova uma nota informativa do tipo daquela que uma tal DGEste mandou aos directores das escolas e obriga esse maralhal todo a pôr uma quantia no saco rosa destinada a pagar os custos da reposição na carreira dos professores. Assim, por alto, quaisqueres 10% do ganho que cada sujeito das categorias enunciadas ganha num mês será suficiente. 

   Costa (hesitante):  E posso pagar em prestações? Por exemplo, até 2050?

   Amigo:  Convinha que fosse antes da maioria dos beneficiários morrer. Se fosse eu a ti, pagava a pronto para calares a boca aos 120000. Não te esqueças que pró ano tens eleições, se não for antes, e se não deres a volta à tendência das sondagens, arriscas-te a ver a maioria absoluta por um canudo.

   Costa (falando sozinho):   Estou confuso. Eu já disse tantas vezes que não há dinheiro... isto tudo é muito humilhante! Se eu soubesse que ser primeiro-ministro era tão difícil… Uma noite destas tive um pesadelo com suores frios - acordei aos berros sonhando que uma dúzia de professores me estava a pôr umas orelhas de burro.

    

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