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oraviva

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18
Ago18

A comissão foi a banhos

publicado por júlio farinha

Não sei se estão lembrados, mas na última reunião havida entre a plataforma de sindicatos e o governo, terá sido combinado ( palavra sugestiva – combinado! ) que se formaria uma comissão técnica sindicatos/governo para estudar e avaliar o real impacto orçamental do descongelamento das carreiras dos professores e respectivo reposicionamento nos escalões a que têm direito.

   A citada comissão foi um embuste. Uma promessa para inglês ver. Ao que sabemos, a irrelevante decisão da reunião de 11 de Julho que criou a comissão convinha ao governo permitindo-lhe sancionar a paragem das greves às avaliações e, de uma assentada, cortar a cabeça já meio decapitada às direcções do movimento sindical. A cessação do movimento também calhou bem aos sindicatos cansados do cansaço dos professores. Tratava-se de uma trégua imposta pelo mais forte.

   A reunião de "trabalho" havida em finais de Julho - que em Agosto é para ir a banhos - não deu em nada. O governo insiste no valor ao qual já tinha chegado sem cálculo credível: 600 milhões, e os sindicatos apontam para valores muito mais baixos.

   Agora, o que separa os professores do governo/patrão já não é uma questão de princípio, é uma questão de contas. De dinheiro. Tal como CostaCenteno gosta de tratar os problemas quando pessoas estão em causa.

   Sendo assim, o impasse continua. E como a vontade de lutar das cúpulas sindicais já é pouca, como pouca é a confiança que os professores depositam nelas, a solução é entregar o conflito à gestão política. Faça-se o que pode ser feito para que o BE e o PCP não aprovem o próximo Orçamento.

31
Jul18

Ética da responsabilidade

publicado por júlio farinha

   Tem-se escrito e falado muito acerca do que é que um político pode ou não fazer, a propósito do recente episódio que envolveu o ex-vereador do BE na Câmara Municipal de Lisboa.

   O político em causa tornou-se conhecido pela sua persistente e militante defesa do direito à habitação, bem como pela sua oposição à especulação imobiliária. Ora, o incidente em que se viu directamente envolvido configura, exactamente, um caso de grosseira especulação: procurar vender por 5,7 milhões aquilo que lhe havia custado menos de 1 milhão (valor de compra, mais valor de restauro) é prova disso mesmo.

   O caso não mereceria o aparato mediático que dele se fez, se o político da vereação fosse um cidadão comum, ou mesmo um militante ou dirigente do PS, do PSD ou do CDS. Estes últimos partidos não se notabilizaram, propriamente, pela sua oposição à tal especulação e a outras maleitas como a corrupção. Por isso, já não são notícia de primeira página.

   O problema que se levantou com a ocorrência é do domínio do relativo. Muitos politicos demonstram ter direitos consuetudinários para fazer o que querem e lhes apetece, servindo-se dos eleitores e não cuidando de os servir. No mundo dos negócios ou da actividade empresarial escasseiam as regras básicas que deviam nortear a organização social e económica, sem que o neoliberalismo dê conta de uma regulação que devia competir ao estado. Neste contexto, vale praticamente tudo. Não há referências, nem limites para o desmando.

   Os senhores desta deriva detém um poder incomensurável. Valores, não os têm para si. Arranjam-se uns quantos à medida da manietação da arraia miúda. De modo que podem fazer como bem lhes apetecer, que nada lhes fica mal.

   Apetece dizer que ter princípios, sendo próprio de gente honesta, é uma limitação na vida. Os de esquerda não podem fazer quase nada daquilo a que os de direita têm direito. Estão limitados por um imperativo que é a coerência.

   Não significa isto que se defenda que os de esquerda devem ter direito a fazer tudo a que se atiram os de direita. Os princípios que a esquerda tem para a vida pública deve tê-los em sua própria casa. Ora, não foi isto que se passou com o sr. Robles a quem se pode, muito justamente, aplicar-se o pensamento:  "Bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz".

   O BE, ao substituir o seu vereador na Câmara de Lisboa, parece ter entendido depressa que a responsabilidade do exercício dos cargos políticos é inseparável de uma ética correlativa. Se esta for maltratada, o exercício do cargo que lhe está associado torna-se substancialmente irresponsável e a sua percepção pública completamente destituída de sentido.

08
Jun18

Os anestesiados

publicado por júlio farinha

Francisco Assis, membro do PS, disse no congresso deste partido que Costa teve o mérito de anestesiar o PCP, o BE e os Verdes, partidos que viabilizaram a actual maioria parlamentar que sustenta o governo minoritário de CostaCenteno.

   Não se sabe como é que Costa fez isso, nem qual foi a dose aplicada para adormecer os tais partidos. Não se sabe sequer quanto tempo vai durar o efeito da anestesia ou, mais grave, se esta tem carácter cíclico e não pára de ser ministrada aos pobres sustentáculos do governo.

   Também não sabemos qual a potência das anestesias e qual o estado de vigília em que se encontram o BE, o PCP e os Verdes. Tememos que se encontrem num estádio de fraca lucidez e comecem a aceitar tudo o que o anestesista, manhoso, quer que eles façam.

   Se alguém por aí souber de um antídoto para a droga costista elogiada por Assis, faça-a chegar com urgência à Catarina, ao Jerónimo e à Heloísa antes que eles se apaguem perante a canalhice que o governo quer fazer aos professores.

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