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oraviva

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13
Mai18

Os tribunais, os media, o povo e os políticos

publicado por júlio farinha

    

   A corrupção tem alimentado a opinião pública e os comentadores políticos. Há umas virgens ofendidas com os “julgamentos na praça pública”, com a falta de presunção de inocência antes dos julgamentos, com a não observância do denominado segredo de justiça e com a falta de protecção do bom nome dos muitos por aí aparecidos arguidos acusados de corrupção e outros crimes correlacionados.

   Por aquilo que se diz, vivemos num estado de direito (seja lá o  que for que isso ainda signifique). Quem faz as leis são pessoas que pertencem ao poder legislativo (AR), quem as aplica são pessoas que constituem o poder executivo (governo) e quem supervisiona e julga do cumprimento dessas leis ainda são pessoas constituindo o poder judicial. Como se deduz, tudo isto é feito por pessoas e, desde que as há, há desvios à lei e corrupção. Já os havia, pelo menos, desde a Grécia antiga.

   Nas sociedades antigas e tribais não existiam, claro, tribunais tão sofisticados como os de hoje. Havia conselhos de anciãos e assembleias do povo. Estranho que haja quem estranhe a existência de opinião pública e queira proibir os cidadãos (também de direito) e a imprensa independente, de opinar, julgar, na base de evidências e de se aceitar essa opinião, Mais, recusam capacidade à dita opinião pública de, acordo com a sua esclarecida razão, decidir quem é ou não é culpado. É só por uma questão de “legalidade democrática”? Mas isso é muito formal. Se o povo  vale para votar e logo para julgar quem deve governar, porque não se lhe dá o mesmo poder para absolver ou condenar outros cidadãos?

   Na realidade, como sugeria desapontado um comentador do eixo do mal: qualquer dia os tribunais não são precisos para nada. Sábia aproximação, meu amigo. É que já vão servindo para pouco, no actual quadro ou neste regime.

   Alguém de bom juízo, não ajuíza que houve um ex-primeiro ministro que viveu muito acima das suas posses com dinheiro que não era seu? Alguém ainda acredita que “há almoços grátis” e que o ex-primeiro ministro não estava refém da “obrigação” de devolver, em “género”, favores como moeda de troca, como aponta investigação oficial e de imprensa independente? Alguém se esqueceu que vivemos numa sociedade mercantil em que o dinheiro tudo compra e os valores humanos clássicos nada contam? Alguém pode desautorizar a investigação e convicção da imprensa independente de que um ex-ministro recebeu, enquanto ministro, muito dinheiro de um banqueiro “dono disto tudo”?.  E que não o fez a troco de nada? O povo e os jornais não são parvos.

   Além do mais, o tal poder judicial de cuja necessidade tanto se fala já confirmou em sede de investigação e prova a existência de redes complexas de influências, nomeadamente entre o poder político e o económico. A pergunta porque é que o povo não tem o poder judicial em muito boa conta tem uma resposta: o poder judicial chegou aonde nunca se tinha chegado e ousou prender à saída do aeroporto um ex-primeiro ministro e levá-lo à prisão, mas este poder tem muito pouco poder porque este nunca lhe foi dado pelos verdadeiramente poderosos. Compreende-se. Uma justiça forte é uma ameaça para muita gente, do político ao económico.

   Os arguidos, que cada vez são mais, nunca foram espoliados preventivamente das suas riquezas. Têm muito dinheiro para pagar  a “bons” advogados. Estes conseguem ludibriar, à custa de estratagemas que a própria lei permite, dir-se-ia intencionalmente, o próprio aparelho judicial arrastando os processos, prescrevendo, justificando habilmente anulações de argumentário e prova de acusação. Conclusão, o povo não confia na justiça porque ela não se faz. Esta é débil às mãos, neste caso, aos braços do polvo. O povo está cansado de saber que a maioria dos processos levantados não dão em nada. Daí a descrença. E daí, o perigo. A assunção de que “comem todos da gamela”.

   Das fraquezas se faz força. Pelo que conheço, temos bons procuradores, bons juízes, boa polícia de investigação e para nervosismo de alguns, bom povo e boa e corajosa imprensa independente. Não desistam!

02
Mai18

Corrupção e populismo

publicado por júlio farinha

   "O PS prestou-se a ser instrumento de corruptos e criminosos",   (Ana Gomes, à SIC, 30 de Abril de 2018)  e disse temer que o que tem vindo a público possa ser apenas a ponta do iceberg.  Ao ouvi-la, exortando o PS a combater o actual estado de coisas, ocorre-nos indagar, qual PS? Ainda o há?

   Nesta batalha naval da corrupção e do crime em que se vão afundando alguns barcos, poderá passar pela cabeça de quem pode, mandar o porta aviões ao fundo. Nunca se sabe o dia de amanhã.

 Não agitem o espantalho do populismo mas, pelo sim pelo não, preocupem-se senhores com os "milleniums" e ponham-nos a pensar, enquanto é tempo, em vez de conversa da treta. Educação preventiva e medidas precisam-se.

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