Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

oraviva

oraviva

10
Jan19

Desconstrução

publicado por júlio farinha

Eu sou eu e as minhas circustâncias (Ortega y Gasset, citado aqui por P.P.).

Pode alguém escolher as suas circunstâncias? Claro que, no geral, não pode. No entanto, pode esse alguém agir sobre estas, construir o seu próprio mundo e tornar-se numa pessoa melhor. Mas o que poderá ser uma boa pessoa, residindo no seu eu desejado? Espinosa era de opinião que a arte de bem viver e, logo, ter um eu consentâneo com um bom modo de vida passava por cada um fazer boas escolhas.

É difícil dizer o que são boas escolhas. Genericamente, cada um, na sua inviolável individualidade deve saber o que convém ao seu eu. Depende de cada um e dos seus motivos.

Mas não pode o homem social fazer escolhas olhando somente para o seu umbigo. Logo, a boa escolha deve algo à ética e à moral, pelo menos.

Para não continuarmos a fazer perguntas ad eternum, fiquemos pela ética. Para não atropelarmos ninguém na procura e afirmação do nosso eu este tem que se conformar com valores e regras. Estes e estas não podem ser arbitrárias nem ficar ao critério nem do senso comum nem de ditadores. É assim que numa demoracia plena algo tem que guiar a acção social. Chamemos-lhe Razão. Esta, que na filosofia Kantiana, e não só, brota do intelecto.

Para alguns filósofos, e nomeadamente para o pensamento cristão, a Razão tem , digamos, um grau limitado de autonomia e fazem depender a validade desta de um demiurgo, ou Deus, dador das faculdades humanas- pelo que a procura científica pelo conhecimento repousa mais na Fé do que na Razão. A maior parte dos homens de ciência pensa o contrário. Eis um soberbo exemplo. Certo dia, o famoso cientista Laplace foi questionado assim por Napoleão: porque não menciona uma só vez o nome do criador na sua Opera Celeste? Ao qual respondeu o astrónomo: não tive necessidade dessa hipótese.

As duas concepções admitem, por vias destintas, a chegada à construção integral do homem. Mas o homem, nascido bom, tem escolhos no longo caminho da vida e, por vezes, torna-se mau. Então a construção implica, quase sempre, desconstrução que pode ser penosa. A felicidade, seja lá o que isso for, atinge-se com sacrifício e muito trabalho. Estamos nós dispostos a reconhecer que estamos mal e fazer o que é necessário para progredirmos em reação ao Bem e ao Bom? À vezes tenho dúvidas, e elas comprometem a minha dedicação à transformação de mim mesmo e do real.

 

17
Abr18

Quem sou eu?

publicado por júlio farinha

    A maioria dos leitores não quererá saber disso para nada. Haja Deus. Ninguém me pede para me "retratar". Ainda bem.Mas para poupar tempo a alguns "adivinhos" e tranquilizar, eventualmente, algum leitor mais inquieto, vamos a um pequeno registo autobiográfico. Sou sportinguista não militante , lá fora gosto dos verdes alemães, não fumo, não bebo, separo o lixo (não é uma metáfora) e não sou marciano, descansem. Cá dentro, tenho as minhas simpatias políticas como já se deve ter notado - descubram-nas, se isso vos fizer felizes -  mas o que eu sou é abstencionista nas urnas, por não acreditar na chamada democracia representativa, embora a data mais importante para mim seja o 25 de Abril. Fora isto, digam o que disserem, escrevo o que me dita a consciência e a convicção e não o faço por encomenda. A liberdade não tem preço.

09
Abr18

Trumpalhada

publicado por júlio farinha

   Donald Trump é, no teatro do mundo, uma personagem trágico-cómica e não faz parte, portanto, daquele grupo de grandes presidentes que a América produziu ao longo da História. Ele está nos antípodas de homens como Washington, Roosevelt, Lincoln, Kennedy e até Obama.

   Trump não tem culpa de ter sido eleito. A responsabilidade da sua existência como presidente dos EU terá a assinatura dos russos ou do Facebook? Não se sabe ao certo, mas a coisa não tem muita importância. É mais relevante e próximo da verdade admitir que a culpa é dos próprios americanos, da senhora Clinton e da onda conservadora que tem assolado virulentamente o mundo ocidental.

   O que dói a uma espécie em vias provisórias de extinção parcial - a sociedade e cultura progressistas - é saber quem é e o que representa o dito Donald. Nele espelha-se o que de mais infeliz produziu uma parte da humanidade nos últimos tempos por ter ido buscar ao populismo, ao racismo, à xenofobia, ao belicismo, ao reacionarismo, enfim, o fermento da sua (des)orientação político-ideológica.

   Não se pode dizer que Trump seja um ator indeterminado. Antes fosse. Para ele, não há empecilhos que obstem à concretização das suas erráticas políticas. O homem não olha a meios. É preciso acabar com a emigração? Esqueça-se que a América foi e é feita de emigrantes e erga-se um muro (físico e cultural), que custará uma bagatela, a separar os EU do México. A mais rica nação do mundo ambiciona ser ainda mais rica? Reforce-se a já enorme industrialização que possui, à custa da utilização de recursos energéticos não renováveis (poluentes) e rasgue-se a assinatura dos acordos de Paris. A América não tolera inimigos nuclearizados e tão perigosos como os EU? Então, Trump avisa que, se for preciso, arrasa por completo a Coreia do Norte.

   Trump apresenta uma visão retrógada do mundo mas é presidente dos EU. Um tipo tão imprevisível e culturalmente desfavorecido no poder de uma nação poderosa é um perigo para os americanos e para todos nós. Por isso, subtraiam-lhe o botão aos seu brinquedos.

mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D