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oraviva

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08
Set18

O absurdo desgoverno do ministério da educação

publicado por júlio farinha

   Com o fim do descanso estival que o ME e os sindicatos presentearam os professores, estes acabam por receber a notícia esperada. Não há descongelamento de todo o tempo de serviço confiscado.

   Do chamado braço de ferro havido entre o governo e os professores, o que é que restou? Uma exigência desmedida e absurda, nomeadamente através da imposição dos mais recentes trabalhos forçados  com os quais o incompetente e totalitário ME faz pagar a ousadia da dura e persistente luta dos professores.

   O burocrático e centralizado ministério da má educação, revanchista, acaba de impor brutalmente aos desamparados professores um antiprograma caótico a que chama flexibilização curricular que está a lançar a maior confusão nas escolas.

   Paralelamente, num outro desumano ataque, metade dos professores com baixa – que a ordem dos médicos diz ser justificada – são mandados, como de malfeitores se tratasse, de volta ao serviço. Esta medida é triunfalmente anunciada associando-a aos efeitos pecuniários.  A coisa permite o encaixe de uns milhões de euros que irão direitinhos para os sítios do costume:  fazer boa figura em Bruxelas, exibindo um défice de rico, e para ""ajudar" a manter os jobs dos amigalhaços do partido que mais corruptos tem produzido e protegido desde que somos democracia.

   Em suma, o partido do governo que o bom povo está, desgraçadamente, a apoiar, tornou-se vingativo, arrogante e prepotente. Os professores estão a ser espezinhados nos seus direitos e dignidade e há muitos que afirmam não poder suportar tal estado de coisas. É como se do ME nos chegasse um tal mau hálito que envenena o espírito civilizado da classe docente. O ensino, a educação e a cultura estão a ser envenenados na pessoa dos seus mais dignos actores.

   Quem escreve estas linhas orgulha-se de ter sido combatente pela liberdade e pelo socialismo no que estas causas  têm de genuíno. Mas não tenho pejo em afirmar que nem no tempo da Salazar e Caetano a educação foi tão mal tratada. Então, os professores eram respeitados e tinham estatuto, apesar de ser grande o analfabetismo.

   O 25 de Abril instaurou um ensino obrigatório para todos. Com esta medida, abriu-se a porta para um outro nível mais elevado de dignificação da docência. Contra ventos e marés, Portugal é, hoje, um país alfabetizado, com um bom índice de qualidade educativa e que se pode orgulhar de possuir um grande número de licenciados, mestres, doutorados e quadros reconhecidos, cá e lá fora, pela sua competência e valor. Este conjunto de académicos e técnicos são, em grande parte, fruto da acção dos nossos professores dos ensinos básico e secundário, desde o 1º ao 12º anos.

   Em nome desta realidade, e por respeito pelas convicções e promessas dos próprios, deixa-se aqui um repto aos grupos parlamentares e às direcções do PCP, BE e Verdes: não viabilizem o novo orçamento se não houver, por parte do governo, a garantia inequívoca de que respeita e cumpre o compromisso de contar todo o tempo de serviço congelado aos professores para progressão na carreira. Como está no vosso ideário, nunca se vende a alma ao diabo. Sabemos que não são daqueles que, na ausência de princípios, a vendem por um prato de lentilhas.

  

  

04
Jul18

Um passo estratégico à retaguarda

publicado por júlio farinha

   As primeiras reuniões realizadas ao abrigo das sequestradoras instruções de um colégio que devia ser o primeiro a seguir a lei foram, certamente, um vexame para os professores que as não queriam realizar com o signo da ilegalidade e da irresponsabilidade pedagógica. Devem ter sido as reuniões mais tristes e humilhantes que os professores fizeram. O governo pode ter conseguido, trapaceiramente, atingido os seus intentos, mas cometeu um erro estratégico cujos efeitos lhe cairão em cima. O PS tornou-se definitivamente indigno da cruz no boletim de voto da esmagadora maioria dos professores.

   Tal como no início do problema da não consideração da contagem integral do tempo de serviço confiscado aos docentes, deixo aqui a minha solidariedade, ciente que nesse sentido me seguem muitos professores aposentados e cidadãos.

   A luta foi suficientemente longa e forte para que possa ser definitivamente derrotada. A História é feita de avanços e recuos e, enquanto permanecerem nas escolas aqueles que tão galhardamente se bateram, o fim do processo acabará com a sua vitória. Porque reside neles a força da razão, a força que a dureza da luta lhes transmitiu. O ME não derrotou os professores, tornou-os mais fortes para o combate que em ocasião propícia os levará à vitória.  

  Entretanto, julgo que os professores não devem abandonar a luta, e as greves às avaliações dos restantes anos de escolaridade são para continuar - dando mais força aos sindicatos na reunião com o ME. Se as negociações de dia 11/7 não derem em nada – o que é provável – exija-se que os sindicatos marquem uma grande Manifestação Nacional. Se as negociações não resultarem, ninguém tenha dúvidas que a luta tem que sair à rua. Só esta pode pesar no governo e no Parlamento. 

11
Mai18

Afectos, educação e ensino

publicado por júlio farinha

   A partir de uma Conferência a que assistimos recentemente sobre formação de professores, ensino e educação, recuperámos a título de curiosidade um texto publicado em blogue de 2010 e cuja temática remete para a escola uma importante tarefa: fazer da escola um centro de difusão de amor, pois está relacionado com uma corrente “nova” a que convencionaram chamar de educação para os afectos.

   Esta corrente, adoptada pelo ME da altura como directora da acção escolar, atribuía à escola um papel estratégico de relevante importância e que consistia em formar afectuosamente os menores de idade que a frequentam. Ora, houve uma enorme confusão nas mentes e na caneta dos progenitores de tão arrojada promessa educativa. Relendo esse texto, extensíssimo como manda a tradição, encontramos pérolas, quando se fala em metas e prioridades da acção educativa . Assim temos: “promover a aquisição de técnicas elementares de pesquisa e organização de dados; desenvolver a capacidade de resolver problemas; facultar processos de aprender a aprender; desenvolver as capacidades de expressão e comunicação; etc,etc.”

   Tudo isto e muitas mais coisas parecidas seriam convenientemente embrulhadinhas  em muitos beijinhos e abraços distribuídos pelos professores, agora só educadores, e cuja principal tarefa seria a de seduzir os educandos numa inexplicável e súbita paixão. Ora, o que nos interessa sublinhar é que todos os objectivos chamados educativos acima citados não pertencem à educação, são propriedade do ensino. Os promotores da iniciativa de se tentar obrigar os professores a educar meteram-se numa grande alhada. Eles não perceberam que a escola não educa, ensina. Quem educa são os pais. São eles que dão beijinhos e abraços aos filhos. Os professores ensinam, transmitem conhecimentos. Educar, seja pelos afectos seja por outro qualquer estratagema, não se compagina com a profissão de professor. O professor sente respeito pelo aluno, o pai e a mãe amam-no. Entre pais e filhos há ligação afectuosa, contacto físico e espiritual. Entre professor e alunos há , no máximo, empatia, admiração, agradecimento, respeito. O professor tem deontologia mesmo que não formalizada em código. Os pais podem educar pelos e para os afectos, os professores não. Não se ensina para os afectos. Isso é, aliás, coisa que não se aprende. A  família sim, educa pelo e para o amor, na e pela tolerância, etc.

   Não há dúvida que para além de ensinar (transmitir) Português, Matemática, Filosofia, História, Física, etc. o professor pode dar uma mão, sob consentimento dos pais, em matéria de educação (favorecer a aquisição de valores culturais). Mas esta é uma acção subsidiária. De resto, existe uma disciplina transversal chamada educação para a cidadania, como há uma optativa de religião moral (que poucos escolhem).

   Para ensinar, o professor deve motivar, certo. Mas, mesmo para isso, existem técnicas e métodos, havendo lugar à intervenção da pedagogia e à capacidade comunicativa e de meios do professor. Tudo isto se faz com distanciamento na proximidade, ou seja com distanciamento afectivo. Por exemplo, o médico não se envolve com o doente, não o afecta mas também não é por ele afectado. Isso faz parte da deontologia. O médico perante o doente é um profissional. O professor não deve ser diferente.

   O ensino em Portugal está melhor do que aqui há alguns anos atrás. Isso deve-se ao bom senso e à inteligência dos professores que, ignorando as modas e modinhas dos burocratas e centralistas, têm resistido e seguido as suas convicções, saber e experiência. O ME tem os professores em má conta. Acha que eles são resistentes à (sua) mudança. Ainda bem para o ensino.

 

PS:   

   Em textos anteriores já aqui publicados, nem sempre distingui com suficiente clareza os conceitos de educação e ensino. Acontece que apresentei, por vezes, a educação como conceito geral que englobava o de ensino. Diz-se, por exemplo, que fulano foi educado nos melhores colégios para significar que ali obteve uma boa educação moral e beneficiou de um ensino de qualidade. A fronteira entre os dois conceitos é ténue, por vezes. A posição que hoje aqui deixo é a mais definitiva e peço desculpa se em textos anteriores misturei as coisas e falei indiscriminadamente em educação e em ensino como se fossem a mesma coisa. De facto não são.

15
Abr18

Professores - o desgaste

publicado por júlio farinha

   Os sucessivos ministérios da educação têm involuntariamente, admita-se, espalhado o desânimo, o cansaço e a doença na classe docente. Segundo o Jornal de Notícias, em Março havia cerca de 6000 professores com baixa à espera de Junta Médica. Isto devia envergonhar o ministro da educação. Esta realidade é representativa da pouca importância atribuída aos professores e às suas condições de trabalho. Para o Estado,  o que vem primeiro são os cifrões, depois talvez se arranje qualquer coisita para as pessoas. É óbvio, para quem seja minimamente conhecedor do trabalho nas nossas escolas, que a profissão docente tem de ser considerada como de desgaste rápido.

   Quanto às Juntas Médicas, a coisa é fácil de caracterizar. Os médicos, nomeados pelos organismos estatais para se "ajuntarem"  para fiscalizar as doenças dos funcionários, estão longe de produzir um trabalho sério e cuidadoso. A memória do caso daquela professora, que sofria comprovadamente de cancro e a quem foi reiteradamente negado o acesso à Reforma, não pára de nos apoquentar. Deixa-nos a matutar na incompetência e na desumanidade de quem devia estar sujeito a um exigente código deontológico. Negligência grosseira em todo o terreno, é o que é. Governantes, metam baixa!

   

 

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