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oraviva

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08
Jul18

Tudo vem da água

publicado por júlio farinha

   O mar vai. O mar vem. Vem mais do que vai. A maré está a encher. As pequenas largas ondas desfazem-se na praia. A areia fina e branca recolhe as águas, as conchas, as algas e demais coisas que o oceano dá à terra mãe. O pai oceano fustiga a mãe, mas não a magoa. É um encosto amoroso permitido. É um enlace que produz outras vidas. É procriador.

   Tales de Mileto, um dos sete sábios da Grécia Antiga (século VI A.C), afirmava que tudo tinha tido início na água. Sabe-se, hoje, que os primeiros seres evoluíram a partir de organismos e criaturas que se desenvolveram naquele elemento. Nietzsche afirma que se trata de uma ideia consistente e não lhe repugna a sentença: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. A intuição de Tales conforma-se, diz ainda Nietzsche, com o pensamento: tudo é um.

   Estas divagações ocorreram-me enquanto ia deixando molhar os pés entre o mar e a terra. Andei, pensando. Andei pensando. Quando dei por mim, não havia vivalma por perto – tinha-me afastado demasiado. Tive a sensação de me ter perdido no areal. Exigia-se uma reorientação.

   Para me reencontrar, escrevi estas linhas que, não sendo filhas da lógica, espero que sejam, pelo menos, parentes do sonho e da poesia.

   Tudo vem da água. Até o pensamento.

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