Verdade incompleta
Nem todo o homem se aventura na procura da verdade. Esta não é tangível porque não há verdade absoluta. Quem se dedica à sua procura, fá-lo em vão. Podemos falar em pequenas "verdades", em pedaços do saber fragmentado e pessoalíssimo. É porisso que não devemos, nem podemos, impôr aos outros aquilo que nem para nós se aplica.
O muito saber não traz felicidade, e quanto mais sabemos, mais tocamos em acontecimentos próprios ou colaterais que nos fazem sofrer. É por isso que preferimos a ignorância, o fingimento, por vezes, de que nada sabemos.
Quem, apesar de tudo, com sofrimento da alma, procura a sabedoria, mais janelas se abrem para o desconhecido. É este o dilema da investigação científica: um problema resolvido dá origem a muitos outros assuntos que requerem resposta.
A interrogação sobre as origens da vida e a construção paulatina de respostas inacabadas é, no entanto, algo que vem dos primórdios da nossa existência. Construímos caminhos, fixámos marcos, ultrapassámos barreiras. Estamos condenados a suportar as dúvidas e a mudar constantemente de procedimentos, evoluindo, caminhando aos ziguezagues e recuando sempe que é preciso.
Se o muito saber não nos acrescenta felicidade, podemos sempre preparar-nos através dele e da cultura para uma vida melhor, embora menos tranquila, do que aquela que nos legaram os nossos antepassados.
